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De cruel, ela não tem nada…

Pelo contrário! Nina Fernandes encanta pela voz doce e composições daquelas que realmente tocam o coração

POR SIMONE BLANES 5 MIN

18 dez

5 Min

De cruel, ela não tem nada…

POR SIMONE BLANES

	

Domingão do Faustão, Rede Globo. O quadro: Ding Dong. A música: Fascinação. O motivo: um tributo a Elis Regina. Foi assim a primeira vez que Nina Fernandes entrou na casa de milhões de brasileiros. E definitivamente encantou com sua voz doce, mas cheia de personalidade.

Eu estava muito nervosa, mas foi algo realmente emocionante, porque cantar Elis é uma responsabilidade grande e ela é uma inspiração enorme para mim”, diz a cantora, que logo após a homenagem emendou em uma composição própria, Cruel, da trilha sonora da novela Tempo de Amar e com videoclipe que soma mais de 2 milhões de visualizações. “Recebi muitos comentários de pessoas dizendo: ‘Ah, eu te descobri!’, ‘Vi você na tevê’. Me abriu um leque gigante de possibilidades e me deu oportunidade de alcançar vários públicos. Agora sinto que consigo falar com todo mundo, e isso me deixa feliz.” Poucos dias depois, Nina estava na redação da TOP Magazine, inaugurando nosso #StudioMundoTOP. À sua espera, vários fãs apaixonados pela garota de 19 anos, mas dona de um talento único para cantar e compor. “Oi, gente. Nossa, que bom ter vocês aqui”, sorri. E ainda reconhece um deles, que participou de seu clipe mais recente, Arroz com Feijão. “Foi divertido, porque chamei amigos e fãs que já escutam a música normalmente, e tem esse lado lúdico com aquele final meio tragicômico, que tem a ver com um amor não correspondido. A mensagem é justamente mostrar que nem sempre a relação de um casal é como a gente espera. Às vezes, tem farpas no meio”, explica. Histórias de amor são um tema bem recorrente nas criações da cantora, seja em sua forma mais pura, de uma maneira mais irônica ou até pela visão mais “cruel”. “É louco isso, porque, quando comecei a escrever, era bem mais nova e acabava falando muito sobre temas do mundo adolescente: uma paixão não correspondida ou algo que me chateou, mas no Digitando… (seu segundo EP lançado no início de 2019) tive uma preocupação maior em falar sobre esse sentimento de jeitos diferentes, porque está em todo lugar”, diz. Para Nina, a admiração, por exemplo, também é uma forma de amor. Desse pensamento saiu a canção Alice, inspirada na atriz Alice Wegmann. “Ela é uma menina que admiro e me inspira profundamente. É uma coisa diferente, algo bom para sair um pouco desse lugar comum na música pop. Tem outros temas pra gente discutir”, opina ela, que, ao ter sua primeira aula de canto aos 6 anos, teve a certeza de que era aquilo que queria fazer para o resto da vida. “Sempre gostei de cantar. Quando eu era pequenininha, cantava a todo momento”, lembra. “E minha mãe amava música brasileira, então escutava muito a Marisa Monte, hoje uma das minhas maiores referências. Fui crescendo, me apaixonando, me descobrindo como compositora até que entendi que não tinha outra opção.” Aos 15 anos, escreveu sua primeira canção. “Em inglês”, ressalta. “Foi uma parceria com um amigo produtor que me pediu para escrever uma letra. Eu disse: ‘Mas eu não faço isso, eu canto!’ E ele: ‘Poxa, mas quer ser cantora como? Você não tem música!’ Então eu fiz, e me senti muito livre. É isso: a composição te dá liberdade.

 

Digitando…

Embora só tenha 19 anos, Nina Fernandes é cheia de referências que ultrapassam a música. Filha do publicitário Fábio Fernandes, ela faz questão de se envolver em tudo o que diz respeito ao seu trabalho, da produção dos clipes até seus looks, bem sua cara. “Sou apaixonada por moda, direção de arte e cinema. E gosto de brincar com as cores. Agora, me cobram até fazer camisetas com a palavra Cruel”, diverte-se. “Estava nos meus planos. Aliás, queria fazer caneca, lápis, tudo que pudesse ter a ver com o Digitando… Quem sabe?”, sorri a cantora, que, assume, adora coisinhas que remetem a algum momento ou sentimento, como CDs. “Falo pro meu pai que queria ter nascido um pouco antes para fazer minha carreira com CD. Porque, hoje em dia, com as redes sociais, às vezes a gente vive só ali e esquece que tem coisa fora, né? Por isso foi tão importante para mim fazer shows pelo Brasil: percebi que todos nós somos pessoas fora daquela tela, e me deu essa noção de que somos maiores do que a gente imagina”, reflete. “E eu escuto muito CD. Se descubro um artista incrível em alguma playlist e vejo que tem um álbum, vou passar os próximos três meses ouvindo só aquele disco, o dia todo, do início ao fim.” Caso da cantora norueguesa Aurora e, claro, Marisa Monte, os desejos de feat de Nina.

“É sonhar alto, né? Mas eu acredito que sonhos se realizam, então…”, sorri. Enquanto isso não acontece, Nina vai colhendo os frutos do sucesso que plantou até aqui, com suas músicas nas paradas FM – “algo muito emocionante, que dá até uma confusão no cérebro: será o telefone, o Bluetooth ou está tocando na rádio mesmo?” – ou em trilhas de novelas. “É engraçado. Em Tempo de Amar, Cruel era tema da Tereza (personagem de Olivia Torres), uma mulher sofrida, tadinha, mas eu ficava torcendo para ela sofrer e tocar a canção. E em Malhação, ser associada ao amor de dois jovens fofos. É lindo.” E avisa: logo mais vem novidades por aí. “Vou lançar as coisas aos poucos. No ano que vem pretendo fazer músicas novas com um pé no pop, mas dentro do contexto orgânico, de usar o violão e o piano e trazer a coisa para um lugar mais musical.”

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