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Marina Werneck

A surfista com carreira bem-sucedida no circuito mundial pretende agora “bombar” o surfe feminino brasileiro

POR Roberto Marks 5 MIN

29 jul

5 Min

Marina Werneck

POR Roberto Marks

	

A paixão de Marina Werneck pelo surfe começou cedo. Com apenas cinco anos de idade, a carioca criada em Florianópolis já experimentava as primeiras sensações de encarar ondas em cima de uma prancha. “Meu pai e meu tio praticavam o esporte e minha mãe, o bodyboarding. Como eu os acompanhava, não tinha como não me apaixonar pelas atividades esportivas no mar”, conta ela, que fez parte de uma geração pioneira do surfe feminino brasileiro, destacando-se como profissional no circuito mundial, no qual atuou por dez anos, além de integrar a equipe brasileira feminina que conquistou diversos títulos — inclusive o primeiro mundial da categoria para o país, em 2003, na África do Sul.

Em uma nova fase da vida, recém-casada, mas ainda apaixonada pelo esporte que a consagrou, Marina atualmente pratica o freesurf, versão não competitiva da modalidade e que está virando uma tendência com o objetivo de valorizar atividades lúdicas relacionadas ao surfe. “Quem realmente gosta deste esporte não consegue abandoná-lo. Por isso, a maioria dos atletas, após deixar o circuito profissional, passa a praticar o freesurf juntamente com amadores apaixonados que contribuem para difundir uma imagem de estilo de vida inspirador, em harmonia com a natureza e que também ajuda a desestressar as pessoas neste mundo tremendamente competitivo em que vivemos.”

Marina, entretanto, não se afastou completamente do esporte profissional. Agora, ela se empenha em “bombar” o surfe feminino nacional incentivando a formação de novas atletas, com a finalidade de participar não só do circuito mundial, mas também defender as cores do Brasil na Olimpíada de Tóquio, em 2020. “Meu sonho é poder contribuir, com minha experiência, para as novas gerações das surfistas brasileiras se destacarem no circuito mundial, assim como já ocorre no masculino.” Atualmente, dos 32 atletas na elite do surfe masculino, 11 são brasileiros e com dois campeões mundiais: Gabriel Medina e Mineirinho.

Nomeada Embaixadora da WSL ­— World Surf League — para o Brasil, Marina também pretende ampliar o número de atletas nacionais participando no circuito mundial. “No momento, temos apenas duas representantes entre as 18 da elite feminina: a talentosa Silvana Lima, que, inclusive, já foi vice-campeã mundial, e a Tati — Tatiana Weston-Web —, havaiana que se naturalizou por ter mãe brasileira.” Para alcançar seus objetivos, ela idealizou o projeto Seaflowers Digital, arrojada proposta para descobrir novos talentos, via YouTube, aproveitando a difusão nos canais da internet. “Com isso, conseguimos impactar pelas redes sociais um universo de 8 milhões de pessoas”, destaca Marina.

Conforme explica a promotora, o projeto é aberto às garotas que praticam o esporte como amadoras. “Para participar da seleção, basta fazer um vídeo surfando, com destaque nas manobras. Isso pode ser feito num smartphone e deve ser postado via Instagram na hashtag da promoção. A primeira seleção é feita baseada no número de curtidas do público. As 18 surfistas com maior número de likes se classificam para a final, que é feita por três juízes escolhidos entre surfistas e que já atuaram ou atuam como profissionais, sempre levando em consideração a opinião do público. A vencedora recebe prêmios e apoio para iniciar na carreira profissional”, detalha Marina.

A primeira edição do Seaflowers foi vencida por Julia Santos, moradora do litoral paulista. “O que eu mais amo no surfe é o poder que ele tem de transformar a vida das pessoas. Comigo foi assim, e agora vejo isso na Julia, uma menina de família humilde com limitações financeiras, mas apaixonada pelo esporte e que tem a oportunidade de desenvolver todo o seu potencial”, comemora Werneck, que ainda é parceira e consultora do Instituto Neymar Jr. e agenciada pela NN Consultoria, empresa da família do jogador. “Conheci o Neymar e família através do Instituto e notei que temos muitas sinergias. Nossas propostas são semelhantes: proporcionar a jovens, geralmente com poucos recursos financeiros, a oportunidade de se desenvolver e, se possível, se destacar no esporte.”

Assim como a entidade do craque, Marina participa de projetos de inclusão social, como o Adapt Surf: “Ele tem a finalidade de proporcionar novas experiências no mar para quem sofre de deficiências físicas, o que se reflete em uma melhor qualidade de vida a essas pessoas”, explica. Além disso, ela tem procurado divulgar o surfe de outras maneiras e foi uma das protagonistas do Sea, Sun, Flowers, primeiro filme produzido somente com surfistas brasileiras, dirigido por Pablo Aguiar e Manoela D’Almeida. Também estampou páginas do livro The Love of Surf, produzido pela rede australiana Girl Surf Network e, atualmente, amplia sua atuação em diversos canais de divulgação: “Estamos na quarta temporada do programa Por Elas, no Canal Off. Esta experiência na TV me levou a criar meu canal no YouTube para mostrar um pouco da minha rotina”.

Em sua campanha pelo “girl power” no surfe, Marina sabe que ainda tem alguns desafios, mas mostra confiança em seus objetivos. “Durante muito tempo, a mulher foi vista no surfe apenas como sex symbol, e não como atleta. Mas isso está mudando e estamos conquistando nosso espaço. Um exemplo disso é a decisão da liga mundial em equiparar o valor dos prêmios com o do masculino, no circuito profissional. E, agora, além de empresas do setor, o esporte também está chamando a atenção de marcas de outras áreas como Guaraná Antártica, que apoia nosso projeto, produtos de beleza como L’Oréal e Neutrox, e até fabricantes de veículos como a Audi e Jeep”, finaliza Marina, que já prepara a próxima edição do Seaflowers no segundo semestre deste ano.

Fotos: Divulgação

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