TOP Magazine

Marina Klink

Ela deixou sua bem-sucedida e rentável atividade de promoter para se dedicar a fotografia que divulga a preservação da natureza

POR Roberto Marks 5 MIN

21 maio

5 Min

Marina Klink

POR Roberto Marks

	

Marina Bandeira Klink (@marinabkink) é fotógrafa reconhecida internacionalmente por empreender expedições nas quais, através das lentes da câmera, documenta e divulga a preservação da natureza nas regiões mais remotas do planeta. Casada com o navegador Amyr Klink (@amyrklink), ela conta que iniciou nesse ofício no “auge dos 50 anos de idade”, por acaso. “Sempre gostei de fotografar, mas por hobby. Durante 30 anos, minha atividade profissional foi organizar eventos corporativos e festas como aniversários e casamentos.”

Foi devido a essa atividade, porém, que Marina conheceu o futuro marido, em plena organização de um seminário de treinamento para funcionários de uma multinacional — um dos diretores da empresa comentou sobre o navegador. Era 1986 e Marina ainda lembra bem as palavras do executivo: “Aquele maluco, que atravessou o Atlântico sozinho em um barco a remo, está fazendo palestras sobre a aventura, e acho que seria interessante convidá-lo para participar do evento que estamos organizando”.

Marina descobriu o número de telefone de Amyr e, quando ligou para convidá-lo, foi surpreendida pela simplicidade dele. “Além de cobrar um valor bem razoável, ele não fez nenhuma exigência especial, como é comum. E quando pedi os dados para emitir a passagem de avião São Paulo/Rio de Janeiro e reservar o hotel, disse que não precisava, já que faria a viagem com seu próprio carro e depois seguiria para sua casa de Angra dos Reis. Confesso que fiquei preocupada, já que foi tudo muito fácil. Mas ele chegou na hora combinada e a palestra foi um sucesso.”

A empatia foi recíproca e Marina passou a indicar os seminários de Amyr para outros eventos corporativos, e com o tempo ela descobriu que tinham muitas coisas em comum, apesar de atividades tão diferentes, a começar pela paixão pelo mar. “Eu pensava em fazer faculdade de biologia marinha. E, assim como Amyr, na adolescência participei de competições em pequenos veleiros”, relembra. Mas o que mais chamou a atenção de Marina foi a semelhança como ambos se preparavam para organizar suas atividades. “Notei muita sinergia em relação à forma como planejávamos nossos projetos. Da mesma maneira que uma viagem exploratória no mar precisa ser bem planejada para alcançar seus objetivos, com total segurança, a organização de uma festa tem que ser preparada nos mínimos detalhes para não provocar nenhum mal-estar ou, pior, uma decepção para quem encomendou.”

Com o tempo, a amizade virou namoro. Casaram-se em 1996, dez anos após se conhecerem. Isso, entretanto, não alterou a rotina do casal. Enquanto Amyr continuou as aventuras pelos sete mares, Marina manteve a frenética atividade de organizar uma média de oito eventos mensais. “Era um casamento um pouco diferente, apesar de nos comunicarmos diariamente por rádio, no começo, e depois pela internet. Minhas amigas brincavam que eu era a única esposa que sabia onde o marido estava 24 horas por dia graças ao GPS.”

Mas havia uma diferença radical na rotina deles. “Ambos estávamos envolvidos com experiências autênticas, mas enquanto ele vivia as deles, eu apenas proporcionava essas experiências aos outros.” Isso continuou, inclusive, após o nascimento das gêmeas, Laura e Tamara, e da caçula, Marininha. “Eu era mãe e pai ao mesmo tempo. Tinha de cuidar da casa e da minha empresa. Cheguei até a comprar outra residência e mudar, enquanto Amyr viajava. Porém, conforme as meninas foram crescendo, vi que era necessário fazer uma reavaliação.” Os longos períodos de ausência do pai preocupavam a mãe. “Toda vez que ele ia iniciar uma viagem, ou na véspera de seu retorno, elas ficavam inquietas, ansiosas. Me preocupava que isso poderia até se refletir negativamente no futuro, como a possibilidade delas sentirem aversão pela atividade do pai. Em 2006, decidi que na próxima que ele fizesse, a família iria junto.”

O maior problema foi convencer os familiares, já que as meninas eram pequenas. “Mas eu sabia como era minucioso o planejamento de viagens do Amyr e não tive nenhum receio. Minha única preocupação era como planejar o dia a dia delas, já que iríamos ficar confinados nas reduzidas dimensões de um veleiro por cerca de dois meses. Por isso, defini uma rotina de atividades de pesquisa e exploração da vida marinha”, lembra. Assim, ao acordar, elas tinham que descobrir algum animal marinho ou paisagem que chamasse a atenção para ser fotografado pela mãe. Depois, iam procurar informações sobre o assunto na internet. “Foi uma maneira de mantê-las entretidas nos 45 dias de viagem. Como perderam o começo do ano escolar, negociei com a diretora da escola que elas fariam uma palestra contando as experiências que tiveram durante a viagem. Foi um sucesso”, gaba-se a mãe “coruja”. Depois, foram convidadas para fazer a mesma apresentação em outros colégios. “Certo dia, ao passar por uma banca de jornal, fui surpreendida com a foto de minhas filhas no topo da primeira página do O Estado de S. Paulo, que destacava na manchete: ‘O sucesso das filhas de Amyr Klink…’ 

A bem-sucedida viagem de exploração, em família, foi seguida por outras, mas em uma delas a harmonia foi abalada. “Eu estava no topo do mastro do veleiro, a cerca de
30 m de altura, presa por cabos enquanto fotografava, quando ouvi a frase que mudaria minha vida: ‘Marina, desce daí! Essas fotografias que você faz não servem para nada’, gritou Amyr, impaciente porque eu estava ali há muito tempo com as minhas mãos já congelando.” O choque foi terrível. “Nós também tínhamos nossos momentos de atrito, mas nunca havia chegado naquele ponto. Ainda lá em cima, tive uma crise de choro e, quando desci, nem falei com ele. Fui direto para a cabine. A ira era tanta que até pensei em pedir o divórcio. Depois, com a raiva menor, tomei a decisão de mudar minha vida. E, assim que retornamos ao Brasil, encerrei as atividades da minha empresa de eventos e passei a me dedicar a fotografia.”

O destino também deu um empurrãozinho: “Um editor nos procurou com a proposta de fazermos um livro sobre a viagem que minhas filhas contavam nas palestras. Fiquei com a incumbência de editar os textos escritos por elas e escolher as minhas fotos para ilustrar a obra, que foi muito bem recebida na Flip (Festa Literária de Paraty) 2010. O passo seguinte foi publicar o meu próprio livro de fotos: Antártica — A Última Fronteira, seguido por Olhar Nômade, ambos publicados pela Editora Brasileira e que já estão esgotados”, detalha.

Suas fotografias documentais ganharam espaço em importantes galerias, mostrando um olhar significativo sobre as riquezas naturais da Terra. Além dos registros que já fez em diferentes países dos cinco continentes e os dois círculos polares, Marina também gosta muito de retratar as riquezas do Pantanal Matogrossense. Por outra coincidência, o sucesso como fotógrafa fez com que ela se tornasse palestrante para contar suas aventuras e ressaltar a preocupação com o meio ambiente. “Curiosamente, foi por intermediar uma palestra que tudo isso começou”, finaliza.

  • COMPARTILHE
VOLTAR AO TOPO