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Lazarus

Com 18 canções emblemáticas de David Bowie, versão brasileira da peça revela busca tortuosa de alienígena em crise com sua humanidade

POR WALTER DE SOUSA COM EXCLUSIVIDADE PARA TOP MAGAZINE 3 MIN

13 set

3 Min

Lazarus

POR WALTER DE SOUSA COM EXCLUSIVIDADE PARA TOP MAGAZINE

	

Lazarus é o nome do último single lançado por David Bowie, quatro dias antes de sua morte, em 10 de janeiro de 2016. É também o nome da peça assinada pelo cantor juntamente com o dramaturgo irlandês Enda Walsh, que estreou em 2015. Portanto, é a última persona de Bowie, sombria, ligada intimamente à morte. Constitui um réquiem do autor, ou seja, uma missa que compôs para si mesmo. Como os trabalhos dos cinco últimos anos de Bowie, a peça não só repassa a sua carreira como reinterpreta os ícones que criou. Lazarus tem montagem nacional sob a direção de Felipe Hirsch. O texto se baseia no livro O homem que caiu na terra (1963), de Walter Tevis, que ganhou versão cinematográfica em 1976, protagonizada pelo mesmo Bowie, com direção de Nicola Roeg. O personagem principal é um alienígena – assim como Ziggy Stardust, a persona mais famosa do cantor, criada em 1972. Thomas Jerome Newton é o imigrante da estrela Anthea que se torna milionário na Terra, mas que passa seus dias ingerindo litros de gim e conversando com uma garota que só ele vê. Nisso, ele tenta revisitar seus fantasmas e exorcizá-los. Ou seja, ele se humaniza para tentar entender a sua condição de estrangeiro.

O sentimento predominante na peça é a angústia contemporânea, que o espectador absorve em meio a ótimas versões de 18 canções de Bowie, interpretada por uma banda, ao vivo, e pelo elenco: Jesuíta Barbosa, Bruna Guerin e Carla Salle, entre outros. São revividos clássicos do repertório do cantor, entre eles Changes, The man who sold the world, Absolute beginners, Life on Mars, Valentine’s day e Heroes. E, claro, o sombrio Lazarus, que abre a peça. Como suas letras têm como característica a fragmentação, elas tornam as reviravoltas mentais de Newton ainda mais tortuosas.

A concepção cenográfica é primorosa ao dar movimento ao ambiente estático do apartamento de Newton com um palco móvel que se inclina e reflete projeções no espelho que fica ao fundo. Com isso, são criados efeitos vertiginosos, enquanto parte das letras das canções flutuam ante os olhos da plateia.

Para iniciados e iniciantes, a versão de Lazarus supre três anos de abstinência de Bowie com sabor de reinvenção. Esta, do próprio autor ausente e da equipe que concebeu a versão brasileira.

 

Lazarus

Texto: David Bowie e Enda Walsh.

Direção geral: Felipe Hirsch.

Direção musical: Maria Beraldo e Mariá Portugal.

Direção de arte: Daniela Thomas e Felipe Tassara.

Elenco: Bruna Guerin, Carla Salle, Jesuíta Barbosa, Rafael Losso, Gabriel Stauffer, Luci Salutes, Marcos de Andrade, Natasha Jascalevich, Olivia Torres, Valentina Herszage e Vitor Vieira

Músicos: Fabio Sá, Maria Beraldo, Mariá Portugal.

 

Local: Teatro Unimed – Edifício Santos Augusta – Alameda Santos, 2159 /1O andar – Cerqueira César – São Paulo.

Temporada: Até 27/10. Quinta a sábado, 21h. Domingos, 18h.

 

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