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03 dez

Juliana Paes

Ela sabe simplesmente ser. Tudo nela tem a força de despertar os sentidos. Não há como não se apaixonar. Dona de um carisma irresistível e uma espontaneidade sem igual, Juliana Paes é Juliana, e só. Até porque não precisa de nada mais...

POR Simone Blanes 7 MIN

03 dez

7 Min

Juliana Paes

POR Simone Blanes

	

Mais do que a beleza solar ou o espírito contagiante que marcam sua presença por onde passa, o que nos faz realmente desvendar Juliana Paes é a espontaneidade. Algo que ela confessa, “já me pregou muitas peças”, mas que também é impossível reprimir, maquiar, disfarçar. Naturalidade essa que a torna sempre a atração principal e, de certa forma, livre para exercer o prazer de ser o que de fato ela é: “Juliana Paes é Juliana, e só”. Tudo nela é espontâneo, quase ingênuo. Do olhar expressivo — onde, sabe, mora seu maior poder — até o sorriso largo e encantador, que não faz questão nenhuma de economizar, nada é planejado, elaborado, inventado ou construído. Assim como sua tão comentada sensualidade, que vai muito além das curvas, e se expressa sem qualquer esforço ou solenidade. Já disse o autor de telenovelas Gilberto Braga: “Não tire isso de você, porque é seu”. É, Juliana nasceu para brilhar… E poderia até ficar ali, inacessível, no olimpo das estrelas. Só que aí, volta a tal destreza e mais uma vez, surge a pessoa por trás da atriz: disponível, generosa, falante, que se mistura e faz questão de cumprimentar, abraçar, falar e sorrir. Não precisa de caras e bocas. Só precisa ser ela mesma para conquistar a todos, como fez, por exemplo, com a comunidade do morro onde gravava as cenas de Bibi Perigosa, em A Força do Querer. “Ficava lá o dia inteiro. Tomava banho na casa das pessoas, que faziam macarrão com salsicha para mim”, diverte-se. Sua última personagem na TV, mas difícil de esquecer. Um furacão que, a cada aparição, não deixava pedra sobre pedra. E mesmo não sendo tão boazinha, roubou a cena e criou quase que uma nova identidade para Juliana. “Até hoje me chamam de Bibi.” Resultado de muita entrega por parte da estrela, dona de um talento nato, que não cabe teorizar ou justificar, apenas aplaudir e admirar. 

Falando em Bibi, foi também uma personagem determinada que inspirou em Juliana a vontade de ser atriz: Scarlett O’Hara, a heroína de Vivien Leigh em E o Vento Levou (1939), na famosa cena em que ela dá a volta por cima e se enrola nas cortinas para fazer um vestido. E lá se vão 20 anos de carreira — começou em 1998, em Malhação —, com vários papéis em tramas da Rede Globo, da empregada Rita, de Laços de Família — onde a personagem cresceu e Juliana apareceu — até a indiana Maya, de Caminho das Índias, sua primeira protagonista em horário nobre, dada por Glória Perez, mesma autora que a presenteou com a inesquecível Perigosa. Hoje, está em sua melhor fase profissional e pessoal. Celebra 10 anos de casamento com o empresário Carlos Eduardo Baptista e realizou o sonho da maternidade com Pedro e Antônio. “Minha vida está toda redondinha”, diz Juliana, abrindo aquele sorriso, capaz de seduzir e capturar o olhar de qualquer um que esteja por perto. “É um pouco de amor que doamos sem nada perder.” Como diria Chico Buarque: “Por ela que o show continua”. 

Juliana é linda, Juliana é sexy, Juliana é bacana… Todas essas qualidades, de uma forma ou de outra, vêm da sua espontaneidade. Como é isso para você? É verdade. A minha espontaneidade é o meu tesouro, o que me dá credibilidade. As pessoas acreditam no que eu falo porque me conhecem e sabem que não são dois lados da moeda, exceto quando estou atuando. É algo muito forte em mim, mas também já me pregou muitas peças. Tive problemas por ser mal interpretada, por contar uma intimidade ou fazer um comentário levado por outro caminho. Só que toda pessoa muito verdadeira, que fala o que pensa, corre riscos, e eu nunca consegui frear isso. Sempre que tentei fazer uma linha, pensar muito antes de falar, não deu certo. Dá mais trabalho criar uma personalidade que não é a sua do que ser você mesma. Corro riscos sim, mas para cada vez em que eu possa ter sido mal interpretada, minha resposta é sorrir. Não consigo ser de outro jeito. Juliana Paes é Juliana, e só. 

Mas todos temos um lado B… Tenho sim. Um lado de quietude, mais introspectivo, que ninguém imagina. Me veem sempre extrovertida, falante, mas eu adoro ficar sozinha. Gosto da minha própria companhia, ler um livro, fazer as minhas coisas. Preciso desse momento só meu.

Falando nisso, após Bibi Perigosa, teve esse ano sabático… Deu para descansar? Foi bom e necessário. Mas, na verdade, sabático só da Globo, porque trabalhei bastante. Claro que aproveitei para fazer as viagens que eu tinha vontade, mas gravei dois filmes que estreiam em 2019. Um é Arigó, a história do médium José Arigó, um homem comum e católico, que teve que aprender a lidar com o dom de fazer curas espirituais e foi estudado até pela Nasa. E outro, Coração de Leão — O Amor Não Tem Tamanho, uma comédia com Leandro Hassum, em que faço uma advogada linda e bem-sucedida, que se apaixona por um cara divertido e inteligente, mas pequeno. Assisti a versão argentina do roteiro e fiquei apaixonada — é genial. Acho que emanei tanta energia positiva que não demorou muito e o projeto caiu no meu colo. São dois filmes com apelos dramáticos bem diferentes: em Arigó, apareço envelhecida como a Arlete, esposa do Zé Arigó, e no Coração de Leão estou toda bonitona. Ah, e tem o Carnaval, minha paixão antiga — sou rainha de bateria da Grande Rio num enredo que fala sobre educação, de um jeito bastante inusitado. Estou muito animada!

E para a TV, quando volta? Já tenho uma minissérie para gravar em janeiro do ano que vem. Estava escalada para apresentar o programa Os Melhores Anos de Nossas Vidas, mas tive que declinar por um problema nas cordas vocais, que estou cuidando. Por isso, estou com essa voz rouquinha (risos).
A Bibi exigiu muito de mim, e agora, segundo os médicos, preciso de repouso vocal. 

Bibi virou um marco… Pois é, a minha vida virou de pernas para o ar (risos). Porque eu gravava muito, ficava o dia inteiro no morro. Tomava banho na casa das pessoas, que faziam macarrão com salsicha para mim. Criei uma segunda identidade, porque lá, eu era a Bibi. Em todo lugar: “Fala, Bibi! Vai ter aquele rango hoje? Já é!” (risos). Aí chegava outra pessoa: “Olha, fiz isso para você!” “Ah, mas hoje vou comer lá na Dona Nilse, amanhã eu chego aí!” (risos). Era muito legal, mas ficava cansada porque ela era intensa, fora aquele sobe e desce, e corre toda hora. Não tinha folga, porque a personagem circulava em todos os cenários. Até hoje me chamam de Bibi, ficou uma coisa meio “Carminha” (icônica personagem de Adriana Esteves, em Avenida Brasil). 

Bibi também chamava a atenção por ser poderosa e sensual, assim como você. Não cansa de ser sexy?  Cara (risos), não, porque nunca vivi acreditando nisso como a minha primeira realidade. Esse rótulo não é nem uma bandeira, nem um fardo para mim, só mais uma das coisas que eu posso ser. No início, existia um receio de que pudesse ficar como uma marca única, mas depois que você encontra o seu lugar, consegue mostrar que seu talento é múltiplo, vira pura diversão. E quando entende que é uma característica sua, mas no seu trabalho pode ser uma ferramenta que você escolhe ou não usar, é mais libertador ainda… 

Hoje é uma das maiores estrelas do Brasil. O que isso significa para você, olhando para trás, nesses 20 anos de carreira? Acho que não existe como se tornar uma “estrela” sem que, por trás dessa imagem, a pessoa não tenha dentro dela uma preocupação genuína com o outro. Não acredito em bons atores que não saibam exercitar a empatia, em gente que passa e não dá bom dia. Ser bom ator é ser uma boa pessoa. Não dá para fingir. Esse status que me dão tem a ver com isso. Não sou perfeita, nem santa, mas tenho muito prazer em conversar, sorrir e falar com as pessoas.  

Tem algo de que se arrepende? Não me arrependo de nada. Todas as coisas que fiz e não tiveram resultados positivos me ensinaram muito. Tenho uma mania que talvez tenha a ver com o meu signo (ela é ariana), mas cara, ok, não adianta procurar culpados. O que eu posso fazer para que não aconteça de novo? Bola pra frente. Mas, confesso, tive grandes aprendizados… 

Quais? O maior é manter o silêncio nos primeiros momentos, quando alguma coisa te irritar. Pode parecer omissão ou covardia, mas acho pura sabedoria de vida. Dependendo da resposta que a gente dá para alguém, ou do jeito ríspido de falar porque está contaminado por uma emoção que nem é sua, no final das contas, pode virar um problema enorme. Tive que aprender isso porque sou impulsiva, e o natural, para mim, é falar e depois ver o que está errado. Também nunca tive medo de pedir desculpas. Só que o ideal é não falar, não reagir na hora, só depois.

E da carreira internacional, desistiu? Ah, eu fiz uma escolha. Tinha dois caminhos: ou ia morar em Los Angeles ou fazia o que eu estava a fim, que era ter um filho. E veio o Pedro! Ainda hoje, de vez em quando, até pintam algumas coisas, mas já aviso: só se for com passagem de ida e volta. A verdade é que isso nunca foi um grande desejo, ser mais uma em um lugar com tanta concorrência. Sou muito apegada à minha família e nunca quis morar fora do país. E como você vira uma atriz internacional morando no Brasil? Não vira, então tudo bem. (risos)

Foi a escolha certa! A maternidade te fez bem… Não existe certo ou errado, e sim o que te deixa feliz. Eu amo a minha casa, gosto de ver um botão nascer no meu jardim, até choro: “Poxa, que lindo”. Adoro levar meus filhos à escola, buscar… 

Lembro que você me disse: quero ter dois filhos com nomes curtos! Simone, você é meu oráculo (risos). Mas sempre soube que ia ter dois filhos. Era meio que uma verdade para mim: dois meninos. Só que o Antônio não deu, né? O nome dele foi o Pedro que escolheu (risos). É clássico, bonito, mas acabou virando “Tói” porque o irmão o chamava assim, tipo brinquedo, sabe? 

Você é uma legítima mãe de meninos? Todo mundo acha isso. Eu sou uma mãe muito moleca, mas sou a alma feminina no meio dos boys, aquela que chama para dançar, para curtir o pôr do sol… Para jogar bola, tem o pai. Também sou a mãe que pula do deck, faz bagunça, mas essa coisa de “vamos jogar videogame de tiro” não é a minha. Sou também aquela que pula na cama e meu marido fala: “Vai quebrar a cama, pô”. E não estou nem aí, nem pensei. Saio igual uma das crianças: “Ah, foi mal” (risos). Agora, na hora da escola, do dever de casa, de dormir, não tem mi-mi-mi. Lá em casa é bem quartelzinho. Eu e o Dudu somos muito rígidos com isso, até porque criança precisa de rotina. 

Com a internet, as coisas ficaram mais difíceis, não? Isso é complicado. Outro dia ouvi que os filhos não fazem o que você diz, e sim o que você faz. Então, se está o tempo todo no celular, eles vão querer ficar também. Eu mudei algumas coisas, agora leio antes deles dormirem e vou responder meus e-mails depois. Mas também proibir sempre, deixa eles fora de um universo que vão precisar mais para frente. A gente ainda não sabe como lidar e quais os efeitos reais disso, vamos pelo feeling. Joguinhos, só no iPad, no fim de semana. O Pedro pediu um celular, mas já disse que não vai ter. Sou antiquada com essas coisas…

Rede social, então, nem pensar… Deus me livre. Nem pede, nem sabe o que é. E vai demorar a saber, porque não vou dar telefone tão cedo. 

Fechou a fábrica ou ainda pode vir uma menina? Ah, fechei, viu? Hoje, temos uma rotina tão maneira que só de pensar em passar noites sem dormir, não estamos preparados. Eu nunca digo dessa água não beberei, mas agora não pensamos em abrir. 

Uma coisa é fato: a maternidade te fez passar por uma transformação pessoal, até nessa coisa de se vestir, de se sentir mais mulher… Sim, mas acho que também tem a ver com outras coisas. Quando eu comecei a carreira, por exemplo, não existia Instagram ou o look do dia, entende? O jogo era bem mais simples. Não tinha essa de se produzir e arrasar toda vez que aparece publicamente. Agora mudou, e fui me adaptando, ganhando gosto… Passei a gostar da brincadeira. Sempre adorei moda, mas achava que não era para mim, e sim para as modelos. A maternidade me deu essa segurança de dizer: o quê? Não posso? Não posso, é o caramba! Posso tudo! Cara, gerei duas coisinhas de carne e osso e não posso usar uma roupa diferente, estranha? Posso sim, tudo que eu quiser… 

E o casamento, 10 anos… Qual o segredo de Juju e Dudu? Gente, não tem muito segredo. É vontade e paciência. Você tem que querer estar junto. A vontade é isso: não deixar cair na rotina, ter uma DR de vez em quando, isso tudo é total força do querer para fazer funcionar e dar certo. Não vou te falar, ah dez anos são só flores. Mentira. Não existe isso… O Dudu é romântico, até mais do que eu. De mandar flores, de fazer surpresas. Eu já sou mais de demonstrações espontâneas, uma coisa louca de chegar num lugar, subir em uma cadeira e gritar: eu amo esse cara! Mas tem, sim, fases em que está mais afastado, em que a chama está mais baixinha, assim como tem aquele período que está superacesa. Relacionamentos são fases. Quando você entende isso, sai da expectativa de que tem que estar bombando o tempo todo. Não é assim. Calma, espera, que tudo faz parte. 

Desejos a realizar? Ainda quero me dedicar ao teatro! Mas quando as crianças estiverem mais independentes, aos fins de semana (risos). E continuar a trabalhar, com bons personagens. Minha força de vontade vem do meu amor pela vida! Eu amo estar viva… Com todas as dores e delícias, viver é o grande presente de Deus. 

Fotos: Miro

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