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Gloriosa

Glória Groove lança sua nova música "Coisa Boa" e conta detalhes à TOP Magazine

POR Penélope Coelho 3 MIN

10 jan

3 Min

Gloriosa

POR Penélope Coelho

	

Aos 23 anos, a Drag Queen Glória Groove domina o Brasil com as suas músicas
animadas e empoderadas! Ao longo de 15 anos no mundo do entretenimento, com
participações em comerciais, programas de televisão, novelas, dublagens, teatro e
claro, na música, ela se tornou nacionalmente reconhecida com o hit Bumbum de
Ouro, que soma mais de 50 mil visualizações no YouTube. Nesta quinta-feira, 10,
Glória lança seu novo single Coisa Boa – “para bombar no verão”. Em conversa com a
TOP, ela deu detalhes sobre o novo hit e sobre o clipe, que já bate mais de 2 milhões de views no YouTube.  Confira aqui!

TOP: Como surgiu a ideia do single Coisa Boa? Ter uma pegada funk é a sua aposta para o verão/carnaval?
GG: Pode-se dizer que sim, mesmo que eu encare Coisa Boa como algo muito maior do que isso. Quando começou, era somente um experimento que eu queria fazer com o funk 150 bpm. É um mercado que está crescendo muito e sou admiradora do pessoal que faz isso lá no Rio. Com o passar do tempo, percebi que tinha potencial para ser algo maior e melhor, e quis dar esse sentido mais “resistência” para essa música.

TOP: O que podemos esperar do clipe?
GG: O clipe tem direção do Felipe Sassi, está muito legal! São quatro sets, nós gravamos dentro de um presídio que estava desativado há mais de quinze anos, na Mooca, em São Paulo. É muito legal o que esse ambiente traz para a narrativa do clipe. Foi um insight do Felipe, que parte do princípio de que, mesmo em situação de opressão nós temos que continuar com personalidade e fazendo a diferença. Tendo certeza de quem nós somos e, principalmente jogando na cara, com personalidade mesmo, mostrando o que sabemos fazer de melhor. Eu gostei muito do que ele fez: associar a prisão com o momento em que vivemos. Topei na hora e achei maravilhoso!

TOP: Você mistura vários estilos musicais como o rap que vem das suas origens, o funk e até um estilo mais romântico como em Apaga a Luz, mas suas letras sempre são super empoderadas e cheias de referências. Como é o processo de composição?
GG: Eu tenho muitas inspirações de composição na vida, acho que principalmente de pessoas que fazem rap e que usam a ferramenta do rap ou do r&b. São estilos diferenciados e muito variados mas que, por incrível que pareça, sinto que estamos construindo uma nova linguagem, um novo jeito de se falar e se comunicar, e isso é bom para mim. Mas se eu tiver que citar referências brasileiras de pessoas que fizeram diferença pra mim, falo de Rico Dalasam, Flora Matos, Karol Conka e o próprio Pablo Bisbo, que é um cara que hoje é meu amigo, trabalha comigo e está por traz da composição de vários “hinos” que a gente conhece.

TOP: O que podemos esperar de novidades da Glória Groove para 2019?

GG: Quero alçar voos mais altos, expandir meus horizontes. Lançar meu álbum, gravar com mais produtores, em mais países e idiomas.

TOP: Se pudesse escolher qualquer pessoa no mundo para fazer um feat, quem seria?
GG: Drake

TOP: Como você sente a responsabilidade de gerar tanta visibilidade para o movimento LGBTQ e para a cultura Drag, sabendo que tem tanta gente te assistindo e curtindo seu som?
GG: É muito gratificante, porque na minha infância eu não tive uma figura LGBTQ tão próxima. Uma Drag Queen brasileira, cantora para me inspirar. E pensar que eu não tive esta figura e poder ser esta figura para alguém em algum momento, sintetiza tudo que eu faço, que tem a ver com a vida de muitas pessoas, então é uma vitória! É um caminho que estamos galgando há algum tempo, e sei que isso faz uma diferença extrema a longo prazo. Acredito que teremos uma nova base, será um novo momento, uma nova maneira de perceber a arte e a diversidade.

TOP: De onde surgiu seu nome de Drag Glória Groove?
GG: Meu nome Glória Groove vem inicialmente das iniciais da minha mãe, que se chama Gina Garcia. Eu queria ser “GG” assim como ela. Minha mãe canta também, fez backing vocal para a Glória Gaynor em determinada época, e lembro muito dela brincar e falar que era “GG” assim como a Gaynor. Isso ficou na minha cabeça, ser uma mulher cantora “GG” como a minha mãe e a Glória Gaynor. Então quando juntei as coisas e deu as iniciais, eu pensei “eu só poderia ser isso mesmo”.

TOP: Falando em família, como foi a reação deles quando você começou a se identificar com a arte Drag? E qual conselho você deixa pra quem está com vontade de começar a se montar e tem medo de não ser aceito?
GG: Reagiram de maneiras diferentes. Mas, nessa época eu já trabalhava, ganhava o meu próprio dinheiro apesar de ser muito jovem, com 17 para 18 anos. Já comprava meu material de Drag Queen, então era muito mais fácil. Mas, um conselho que eu costumo dar para qualquer pessoa que quer começar a se montar é: se baste. É uma coisa difícil, requer esforço, tem que querer muito fazer isso para consegui realmente entrar em alguma engrenagem deste mercado. Fora que sempre vai ter gente falando que não vale a pena, mas a verdade é que se tiver certeza disso, vai! Só eu sei o quanto o apoio da minha mãe, do meu marido e das pessoas a minha volta é importante para mim. Mas também sei a importância que existe em olhar no espelho e falar: Eu quero isso!

Foto:Rodolfo Magalhães

Confira o clipe aqui:

 

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