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26 abr

Fora da Curva

Bicampeão da Fórmula 3, Guilherme Samaia é a atual grande promessa do automobilismo. Será que em breve teremos mais um “S” nos dando alegria na Fórmula 1?

POR Simone Blanes 3 MIN

26 abr

3 Min

Fora da Curva

POR Simone Blanes

	

“Cada piloto tem o seu limite. O meu é um pouco acima dos outros.” A frase é de Ayrton Senna, mas se encaixa perfeitamente no perfil de Guilherme Samaia. Não à toa, o jovem é hoje apontado como uma das maiores promessas do automobilismo, esporte que desde a morte do tricampeão mundial está carente de ídolos. “Meu sonho é chegar à Fórmula 1, por isso treino e me dedico mais do que outros”, afirma Samaia, bicampeão da Fórmula 3 – em 2015, na série B (Light) e 2017, na série A – e vice em 2016. Além do torneio brasileiro, no último ano, ele ainda correu na Fórmula 3 inglesa e fez meio campeonato europeu.

Talento nato que anda chamando a atenção no ambiente automobilístico, e alimentando esse desejo de vitória do piloto. Tanto que já tem um plano traçado até 2020: continua em 2018 na F3 europeia, para logo depois pegar uma vaga na Fórmula 2 e aos 23 anos, chegar à F1. “Acredito em energias. Se mentalizar coisas positivas, acontecem. Sei que vou conseguir”, diz Samaia, que impressiona pelo foco e disciplina, coisas que tem de sobra, e fazem dele capaz de qualquer sacrifício. Exemplo disso é a mudança para a Inglaterra.

Mesmo estando na categoria nacional mais competitiva do esporte, arriscou a sorte. “Não gosto da zona de conforto. Não ensina nada. Fui sozinho, uma semana antes de iniciar o campeonato. Não conhecia o carro, nem a pista, mas foi bom. Aprendi muito”, conta Guilherme, que mesmo com a rotina pesada entre idas e vindas, sagrou-se campeão por aqui, e lá teve sua evolução reconhecida. Agora, nem bem começou o ano e já se concentra em sua preparação física e mental, que inclui um treinamento intenso. “Treino seis vezes por semana, oito horas por dia. Preciso ser leve no carro”, diz. Também segue uma dieta rígida. “Gosto de comida japonesa, mas tenho compulsão por doces, e para não passar vontade me retiro do lugar. Bebida é zero. É 100% vida de atleta”, sorri.

Celular é outra coisa que fica longe. “Porque desconcentra.” Essa determinação é uma de suas qualidades mais evidentes. E não vem de hoje. Desde cedo, teve que lutar para vivenciar o sonho de corrida, inclusive convencer os pais Claudio e Silvana, de que esse era seu caminho. “Comecei aos oito anos no kart. Eles achavam que era um hobby, mas treinava todo fim de semana”. Aos 15, foi bicampeão da shifter júnior de kart. “Me chamavam para correr, mas meu pai não deixava, dizia que eu faria a ‘Fórmula Faculdade’. Uma hora eu explodi. Nos desentendemos, e ele parou de me levar nos treinos. Vendi minhas coisas para poder correr.”

Isso até a mãe intervir a seu favor, após o ótimo desempenho do jovem em um campeonato de Fórmula Junior, realizado no sul do país. “Quando fiz 18, em vez de uma festa, pedi um ano de carro. Ganhei uma temporada de Fórmula 3 e venci”, conta Samaia, que, embora ainda conte com o pai como empresário, busca patrocínios para sua promissora carreira. “A falta de apoio é o principal motivo de não termos um brasileiro na F1. Eu tenho a lei de incentivo ao esporte, mas falta um bom patrocinador. Adoro o Brasil, quero viver aqui, mas a verdade é que sou mais reconhecido lá fora”, revela.

Libriano, traz consigo características que o ajudam a se manter firme em seus propósitos de superação. “Sou calmo. E tenho uma cabeça boa para aguentar pressão”, avisa. Também sabe a hora de parar. “Gosto de ir com os amigos para a minha casa de campo. E praticar esportes aquáticos. Sou hiperativo, mas sei que preciso dormir e me desligar.”

Quando o assunto é namoro, porém, Guilherme diz não ser o momento. Mas garotas, acalmem-se: o piloto, dono de lindos olhos azuis, garante que no futuro quer sim se casar e ter filhos. “Meninos, para colocar nos carros de corrida”, diverte-se. Por enquanto, ele está totalmente focado na carreira. “Eu ralo muito. As pessoas pré-julgam, mas não sabem o quanto é difícil. Não é só ficar sentado num carro. Por isso, Senna se destacava”, diz ele sobre o ídolo. “Muitas coisas dele vejo em mim. Com certeza, Ayrton fazia mais que os outros. Foi o primeiro, por exemplo, a ligar para o físico e se comportar como atleta.” Assim como o tricampeão, Samaia é conhecido pela sinceridade e transparência. “Não sou nada político. Prefiro falar a verdade. É o mais legal da minha personalidade”.

Fora, é claro, a força e fé que o levam a sempre acreditar na vitória como resultado final. “Em dez anos, me imagino campeão da Fórmula 1”, enfatiza. Como diria o próprio Senna: “Vencer é o que importa, o resto é consequência”. A nós, então, basta esperar para, daqui a algum tempo, ver novamente um “S” riscando a tela da tevê e emocionando o país enquanto se anuncia o vencedor: Guilherme Samaia do Brasil!

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