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Fevereiros

Filme consagra Maria Bethânia como matriarca cultural

POR Walter de Sousa, com exclusividade para TOP Magazine 4 MIN

29 jan

4 Min

Fevereiros

POR Walter de Sousa, com exclusividade para TOP Magazine

	

O documentário Fevereiros, de Márcio Debellian, que estreia nos cinemas em 31 de janeiro, não revê a carreira artística de Maria Bethânia. Trata da importância cultural e espiritual da cantora, assim como a trajetória do samba, ritmo síntese brasileiro, do Recôncavo Baiano para o Rio de Janeiro pelas mãos – e pelos pés – das matriarcas negras, entre elas Dona Ciata. Foi na sua pensão que nasceu o samba carioca, mais cadenciado, diferente do samba de roda, tocado até hoje em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, cidade natal de Bethânia. Foi a partir dessa mistura que surgiu o samba das escolas cariocas, entre elas a Estação Primeira de Mangueira, que em 2016 ganhou o carnaval dedicando seu tema a… Maria Bethânia!


Os fevereiros do título não se referem ao Carnaval, que, aliás, este ano cairá na primeira semana de março. Há outra data, que leva a cantora baiana a passar todos os fevereiros em sua cidade: o dia 2, dedicado à Nossa Senhora da Purificação. Na ocasião, a população de Santo Amaro, que tem parcela considerável de descendentes de ex-escravizados, se divide entre o catolicismo mariano e os terreiros de Candomblé.
É possível acompanhar, no documentário, festas tradicionais e sincréticas, entre elas o Bembé do Mercado, que desde 1889 celebra o fim do cativeiro dos escravos, que acontece no 13 de maio; e a lavagem da Purificação, no último domingo de janeiro. Nela, as tradicionais baianas do Candomblé, munidas com seus vasos de água de cheiro, se concentram diante da casa de dona Claudionor Viana Teles Veloso, a dona Canô, mãe dos irmãos Bethânia e Caetano, para depois seguirem até a principal igreja da cidade. A morte da matriarca dos Veloso em 2012, aos 105 anos, levou temor aos moradores da cidade pelo fim da tradição, o que não aconteceu.
O filme celebra Bethânia como a sucessora natural de dona Canô, especialmente após a homenagem recebida pela Mangueira com o samba-enredo “Maria Bethânia: a menina dos olhos de Oyá”. Este é um dos nomes de Iansã, orixá da qual a cantora é filha espiritual. Ela conta que ouviu de Mãe Menininha do Gantois: “Iansã é a menina dos olhos de Oxum; mexeu com uma, mexeu com outra”. A ialorixá era de Oxum.
Uma celebração da festa popular, da herança não só africana como dos índios, o documentário Fevereiros tem seu centro na espiritualidade feminina. E celebra Bethânia não como “matriarca da Roma Negra” (apelido de Salvador, cantada em “Reconvexo”, composição de Caetano), mas como a matriarca de Santo Amaro da Purificação, mariana e guerreira de Iansã, na louvação e no carnaval. (Walter de Sousa)

Confira o trailer:

Serviço 

 FilmeFevereiros

Direção: Marcio Debellian

Com as participações de: Maria Bethânia, Caetano Veloso, Mabel Velloso, Leandro Vieira, Pai Pote, Squel Jorgea, Luiz Antonio Simas, Chico Buarque, Pai Gilson, Julia Basbaum, Nina Basbaum

Patrocínio: Icatu Seguros, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, Globo Filmes e GloboNews

Coprodução: Globo Filmes, GloboNews e Canal Brasil

Realização: Debê Produções

	

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