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Febre por coisas estranhas – e fantásticas

Os anos 80 estão de volta na segunda temporada de Stranger Things, um fenômeno surpresa até para os atores mirins Millie Bobby Brown, Gaten Matarazzo, Finn Wolfhard, Caleb McLaughlin e Noah Schnapp

POR Melissa Lenz 2 MIN

27 nov

2 Min

Febre por coisas estranhas – e fantásticas

POR Melissa Lenz

	

Para os adultos, ver Stranger Things pode ser uma viagem pelo túnel do tempo. Para os mais jovens, a descoberta de uma década fantástica. Tudo isso com um misto de terror e ficção científica. Para quem não sabe, tem elementos culturais e referências a ícones clássicos dos anos 80, entre os quais Steven Spielberg, Stephen King, Joy Division e The Clash.
Com a mera expectativa de ser um programa cult e alternativo, a série americana criada pelos gêmeos Matt e Ross Duffer acabou virando febre no mundo inteiro, desde seu lançamento em julho de 2016, na Netflix – que nos fez esperar infinitos quinze meses para, estrear, enfim, a tão sonhada segunda temporada.
Mesmo com Winona Ryder no elenco – indicada ao Globo de Ouro 2017 como Melhor Atriz de Série Dramática –, a grande sensação da série são os atores mirins Finn Wolfhard (Mike), 14 anos, Gaten Matarazzo (Dustin), 15, e Caleb McLaughlin (Lucas), 16. TOP foi ao México entrevistá-los, a convite da Netflix. Confira.

TOP – Qual é a coisa mais estranha na fama?
[Gaten Matarazzo] Não gostamos dessa palavra… “famosos”.
[Caleb McLaughlin] Somos crianças comuns, mas que são conhecidas.
[Finn Wolfhard] Ah, a coisa mais estranha de estar na mira do público é as pessoas pedirem para tirar fotos, o que não tem problema. E, no Brasil, eles correm atrás do seu carro (risos), o que acho meio louco, mas muito legal.
[Gaten] É um pouco divertido! [risos]
[Caleb] Hum… Eu me lembro dessa criança… Não, não… Era tipo da minha idade – bom, ainda sou uma criança, desculpem… [risos] Ela me abraçou [ele faz o gesto daqueles abraços sufocantes] e falava “ah, meu Deus, que lindo”!
[Gaten] Ah, nããão! [Faz cara de desgosto]
[Caleb] Ela falava, tipo, “de novo”… Eu tipo “nããão!”
[Finn] Bem, tem a ver com ser criança… Coisas esquisitas acontecem, mas a gente leva na brincadeira, eu acho.
[Gaten] Não gosto quando as pessoas choram…
[Finn] Essa é a coisa que me deixa mais desconfortável!
[Gaten] Muito. Eu estava na Comic-Con, e uma pessoa começou a chorar. E eu: “O que devo fazer?” A primeira vez, ofereci um abraço e ele chorou ainda mais. Não conseguia acreditar…
Como foi entrar em contato com a vibe dos anos 80 – desde a música até a tecnologia e a cultura? Acharam legal?
[Finn] Sim. Foi um enorme choque com nosso conhecimento dos anos 80 e o que exatamente acontecia. Acho que aprendemos bem porque os irmãos Duffer nos ensinaram algumas coisas. Mas conhecíamos bastante sobre a música…
[Gaten] Prince, Michael Jackson, The Smiths…
[Finn] É. Todos eles, além de toca-discos, gravadores… Essas coisas nós já conhecíamos, se resume à forma como você foi criado. Estávamos mergulhados nos anos 80, porque adoramos tudo.
Qual a melhor coisa que descobriram naquela cultura?
[Finn] Não sei se descobri algo.
[Gaten] A Millie [Bobby Brown] descobriu…
[Finn] Ela não sabia o que era uma vitrola!
[Caleb] Meus pais são dos anos 80, então na minha casa sempre ouviram música e assistiram a filmes dessa época.
[Gaten] Aí está outra coisa interessante. Nossos pais nos contaram coisas de sua infância… Não é tipo “não vamos dizer para as crianças nada do que fizemos para que elas descubram tudo e façam um programa de TV”.
[Finn] É, eu não cresci com um aparelho de DVD, mas com um videocassete.
[Caleb] Eu diria que não estamos desconectados, porque sinto que muitas coisas foram recicladas dos anos 80, só que mais moderna. Tipo a moda, a música… Sabe as calças do MC Hammer? Elas apareceram em 2012 e em 2014 sumiram, eu acho. A moda vai voltar de novo, mas de uma forma esquisita. E os cabelos são loucos hoje em dia. É diferente!


De um ano para outro, crianças crescem demais. Vocês devem ter passado por transformações entre a primeira e a segunda temporada. O que sentiram de mais diferente nas últimas filmagens?
[Gaten] Foi bem mais estressante.
[Caleb] É, foi uma loucura. Todo mundo estava, tipo… “Se eu errar uma fala, eles vão nos queimar vivos!” (risos)
[Gaten] “Por favor, deixa eu fazer outra vez!” [implorando]
[Finn] Eu acho que rola mais estresse porque temos mais expectativa à nossa volta, já que a primeira temporada foi um sucesso. E tem mais segurança.
[Caleb] E bem mais gente da Netflix por perto.
[Finn] Tem um monte de gente tentando descobrir as coisas. Isso é ruim. Tentando conseguir os roteiros…
[Gaten] Sim, para vazá-los. E pessoas empenhadas nesse tipo de coisa. É esquisito. Um dia, eu estava na escola e um cara que conversou comigo, tipo, uma vez na segunda série, apareceu e disse: “Então, já que somos superamigos… (risos) Eu estava pensando se, em vez de estrear no Halloween, você talvez pudesse me liberar os episódios no começo de julho”.
Vocês têm mais oportunidades de trabalho agora?
[Gaten] Com certeza. É algo que sinto orgulho porque quero voltar ao processo de trabalho, e não acho que vai ser tão difícil quanto antes.
[Finn] Certamente não será, e também é ótimo, porque você tem mais liberdade, pode escolher o que quer fazer. Agora mesmo fiz um longa (It: A Coisa) e talvez faça um filme noir em novembro, e depois alguma comédia. Mas esses caras aqui, assim como eu, andam tão ocupados falando com a imprensa e participando de Comic-Cons que fica difícil fazer tantas coisas.
[Gaten] Mas eu quero voltar ao processo e gravar algo. Não sabemos se vai haver uma terceira temporada ou quando será filmada, mas acho que temos um bom tempo para outros trabalhos.
[Caleb] Fiz uma animação chamada Final Space, na qual faço o Gary jovem. Vai ser lançada na TBS e é muito legal. Também quero fazer outras coisas além de Stranger Things, mais filmes em que mostro minhas habilidades de atuação. É bom incorporar um personagem e vestir um figurino… tirando o fato de que odeio o processo de experimentar roupas, é muito estressante.
[Gaten] Comprar. Odeio comprar roupas, não gosto.
Quais programas da Netflix vocês gostam de assistir?
[Gaten] Ah, os da Marvel, sempre. Demolidor, Punho de Ferro, Luke Cage… Os Defensores, estou super ansioso para ver.
[Finn] Tem um filme original da Netflix com Elijah Wood que acho incrível, Já Não Me Sinto em Casa Nesse Mundo. É tão, tão bom… E a série F is for Family, uma animação muito triste, mas muito, muito boa!
[Caleb] As séries da Marvel são incríveis. Estou esperando o lançamento dos Defensores e assistindo The Cleveland Show. Eu adoro o Cleveland Jr.


Vocês acreditavam em monstros ou sentiam medo quando eram mais novos?
[Gaten] Hum, até certo ponto.
[Finn] Não, mas, para mim, acho que existe uma infinidade de universos que não exploramos nem, tipo, 3% da Via Láctea, e há infinitas possibilidades, que nunca acabam. Então, se é fascinado por esse assunto deveria assistir a Ricky and Morty. Não é só uma animação crua, mas um dos programas de TV mais inteligentes que já vi. Fala sobre pensar na quantidade de universos paralelos que podem existir.
[Gaten] O paranormal me interessa, de qualquer tipo, porque é algo que não conhecemos ainda. Sou curioso, até um pouco demais… Nunca deixe sua curiosidade trancada no armário.
Quais são as teorias mais estranhas que ouviram sobre Stranger Things?
[Gaten] Ah, eu ouvi que a Barb é um monstro. E que vai voltar para se vingar da cidade. Pensei “isso é fascinante!” [risos]
[Caleb] Umas das mais estranhas é que diziam que eu era o irmão perdido ou algo assim. Eles pensavam que tinha morrido porque passamos uns dois meses sem filmar e todo mundo estava na escola, menos eu, porque estudo em casa. Então diziam “olha, o irmão perdido, ele está morto!”
[Finn] A minha favorita foi que Steve engravidou Nancy. É bizarra, mas bem plausível.
Como seus personagens estão emocionalmente no início da segunda temporada?
[Gaten] A Eleven volta. Não posso falar muito sobre a história dela, mas seu papel é vital.
[Finn] Mike está meio que desistindo do papel de líder. Ele continua procurando Eleven – não física, mas mentalmente. E tem esperança de que ela vai voltar. Ele se sente vazio.
[Caleb] Meu personagem sabe que todos estão no mesmo barco porque experimentaram mais ou menos a mesma coisa, especialmente o grupo de crianças. Agora sabemos que nós, pessoas normais, também vemos criaturas assustadoras na floresta, os demogorgons. Estamos mais no limite. E há várias histórias diferentes. Sinto que nesse momento o Lucas é quem une o grupo.
[Gaten] Tam tam, tam… tam! [cantando a música da abertura da série]

 

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