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Faz pARTE da Vida

Carismático e muito bem relacionado, Luis Maluf vive pela arte. Sua carreira, seu trabalho, seu hobby, sua vida, sua casa, tudo, de alguma forma, tem ligação com ela... Como? Vem ver!

POR Simone Blanes 5 MIN

15 jan

5 Min

Faz pARTE da Vida

POR Simone Blanes

	

Em meio às obras espalhadas pela casa de Luis Maluf, uma chama a atenção. “Me dê motivos pra sonhar”, diz a frase escrita em um quadro do artista plástico Cranio, acima da figura pensativa, envolta em seu universo, alheia aos bens materiais e à tecnologia. “Sou eu”, sorri Luis Maluf, em tom de brincadeira, mas já dando a letra de como funciona sua inquieta personalidade na busca por mais razões que alimentem seu enorme apreço pela arte. “Respiro arte 24 horas por dia. Faço acupuntura, terapia, tomo floral, para também entender que é trabalho. Tenho prazer na minha galeria”, diz, referindo-se à Luis Maluf Art Gallery, em São Paulo. “É real demais. Não faço só para ganhar dinheiro”, completa ele, que traz tatuada em seus dedos a palavra “arte” e as iniciais da Galeria, além de 27 de novembro. “O dia em que abri.” Mas para entender essa ligação que nem o próprio Luis sabe de onde vem, voltemos ao começo. Na verdade, Maluf sempre foi assim. Em suas mais remotas lembranças, já trazia pincéis e telas como o centro de seu entusiasmo. “Morava em um prédio onde viviam três artistas plásticos jovens e eu ficava impressionado, sabe? Me ensinavam a pintar.” Paixão essa vista com reserva pelo pai, mas apoiada pela mãe, que o colocou em um colégio construtivista. “Levavam a arte a sério. Íamos visitar as estátuas do Aleijadinho.” Na faculdade, o interesse aumentou. “Tentei design gráfico, mas mudei para artes visuais. Achei que sairia de lá pintando, mas acabei virando galerista”, conta Luis, formado na Belas Artes. “Lá fiz todo o network da minha vida.” Essencial para sua carreira, assim como um dos primeiros trabalhos, aos 17 anos: segurar as obras de arte em uma casa de leilões. “Descobri meu caminho: cuidar de artistas e suas obras.” Dos contatos também veio o lugar que se tornaria sua galeria até hoje. “O aluguel era de 9 mil reais. Vendi meu carro e uma obra do Cranio (aquela do começo do texto, que anos mais tarde comprou de volta) para conseguir 10 mil reais. Sobraram mil reais, que gastei em pedras”, sorri Maluf, que assume ser ligado em energias. “Conheci uma mulher que me disse: ‘Seu nome está escrito nas estrelas’. Deu certo”. Verdade! Em dez anos, quatro com sua galeria, Maluf não só entrou no seleto mercado de arte como faz sucesso com seu olho clínico para reconhecer talentos. “Conheci o Cranio aos 18 anos, no bar da faculdade. Comecei quando estava surgindo o grafite.” Hoje, representando artistas como o hiper-realista Luiz Escañuela, Red (Vermelho) — atualmente em exposição com uma série que vai virar filme em Hollywood — e o próprio Cranio, a LMAG é uma das mais renomadas galerias de arte contemporânea. “Ainda tenho muito o que aprender”, reflete Luis, um dos poucos que consegue vender mais de 90% das obras na noite de abertura de uma mostra, graças às suas apostas certeiras. “Acredito num novo formato de linguagem pop, presente no cotidiano das pessoas. Tem jovens investindo, que buscam obras com representatividade social”, discursa. “A arte está na moda. E, por ser jovem, converso com eles.” A decoração da casa de Luis não nega: tem arte por todo canto. “Adoro artistas que estão no nosso dia a dia. Precisa tocar meus olhos, ter uma pesquisa artística forte e uma discussão válida”, avalia Luis, que acredita na democratização do mercado via internet. “Posso mostrar minha exposição em qualquer lugar do mundo.” Mas avisa: nada tira o brilho de uma obra física. “Eu não sou fã da fotografia banalizada pelo Instagram. Valorizo a técnica de um artista como o Escanuela e o nível de poros que alcança em seu trabalho. Algo que também depende da tecnologia da tinta, mas, principalmente do talento dele. O que você vê no Instagram pode até ser bonito, mas não é arte”, explica Maluf que, no entanto, reconhece a força das redes para os artistas. “Não tem nada a ver com número de seguidores, e sim com a influência que o cara e a instituição que o apoia têm no mundo digital.” O próximo desejo de Luis, porém, nada tem de virtual. É bem real, aliás. “Quero abrir uma galeria em Nova York. Não importa o tempo, vou conseguir.” Se depender do maior motivo que ele tem para sonhar — o amor genuíno pela arte —, pode apostar que ele chega lá!

Foto: Paulo Reis

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