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12 dez

Ele sabe o que quer

Dono do recém-inaugurado Factório, o empresário e restaurateur Renato Calixto demorou a entender qual era sua verdadeira vocação. Agora, que descobriu, não há quem o segure...

POR Simone Blanes 3 MIN

12 dez

3 Min

Ele sabe o que quer

POR Simone Blanes

	

“Eu não sei o que quero, só sei o que não quero”. Essa frase do filme “Vicky, Cristina, Barcelona” de Woody Allen, por algum tempo, permeou os pensamentos de Renato Calixto. E suas atitudes: em deixar a vida o levar, na busca por lugares, pessoas e experiências que lhe despertasse interesse e trouxesse realização pessoal, profissional, e claro, algum desafio. Nascido em Goiânia, Calixto acompanha a mãe Rosa, desde pequeno, no negócio da família: uma cozinha industrial que produzia catering e marmitas. Dali veio o começo de sua relação com a gastronomia. Só que ele seguiu outro rumo, e ingressou na faculdade de Relações Internacionais, em Brasília, a qual desistiu. “Não era a minha”, assume. E aquela sensação de que “falta alguma coisa” permanecia. Até 2006, quando embarcou para Barcelona, na Espanha. Lá, Renato se lançou a sorte. E ela veio… “Trabalhei como garçom no bar de um restaurante e voltei a ter uma ligação com a gastronomia”, sorri. De volta ao Brasil, cursou Relações Públicas, na Faculdade Cásper Líbero, mas já sabia o seu caminho. Dominava a arte da comunicação no universo gastronômico, tanto que em 2008, começou a escrever um blog “Cru e Cozido”, pontapé inicial de sua atual bem-sucedida carreira em comandar restaurantes. “Precisava saber como conciliar meu ofício de RP à paixão pela gastronomia. Fui fazer mestrado na Itália, no curso ‘Cultura da Alimentação e Comunicação’”. Bingo. Lá, Renato fez uma imersão nos conhecimentos e costumes gastronômicos italianos.

Também trabalhou na Dinamarca ajudando a preparar um evento de comida na Polônia. “Um caldeirão de experiências em que só fui adicionando coisas boas”. O resto é história. Em São Paulo, ficou conhecido pelo seu trabalho à frente do Nino Cucina, e agora, alça novos voos com o recém-inaugurado Factório – Restaurante, Bar e Cafeteria, que abriu em sociedade com João Paulo Diniz. “É um lugar em que se pode comer, beber e se divertir. Somos all day. Temos opções para carnívoros, vegetarianos, veganos e todos os gostos. Não somos presos a rótulos”, explica ele, que conta com a ajuda de sua mãe Rosa no dia-a-dia. “O Factório é um projeto ousado já que apostamos na rua Amauri que queremos reposicionar a médio prazo. Vamos fazer história”, assegura. Se depender de todo esse conceito descolado e o restaurateur pra lá de estiloso, não há dúvidas. Renato sorri. “Faz sentido eu ter aberto o restaurante porque a minha maior paixão são as pessoas. O que me move é fazer a diferença num todo porque aqui somos todos co-criadores. O plural é mais legal do que o singular”. Avesso ao egocentrismo, Renato faz questão de estar ao lado de sua equipe. “Gosto de escutar as pessoas”. E também dividir. Tanto que colocou sua bicicleta na decoração do local. “Andar de bike me dá sensação de liberdade, de contato com a natureza”, diz ele, que há 5 anos não tem carro. “Consegui criar um estilo de vida europeu em São Paulo. Moro no mesmo bairro em que trabalho, então não preciso no dia-a-dia. Mas para viajar, aí vou querer alugar um carro legal”, diverte-se. Adepto a psicanálise, Renato é fã de esportes. “É o que mais sinto falta. Estou matriculado na academia, crossfit e no Mahamudra. Quando dá, eu vou”. Sabe também que essa correria full time é uma questão de tempo, mas longe dele reclamar. “Me dá tesão trabalhar”, diz. O que não o impede de divagar sobre o futuro. “Quero voltar a morar em Barcelona. Quando tiver uns 60 anos. Agora, tenho energia de sobra para realizar muita coisa”. A diferença é que hoje, aos 34 anos, Renato não está mais entregue a sorte. Ele sabe muito bem o que quer.

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