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Ele por ele

Entre um devaneio e outro, Tim Burton fala sobre filmes, medos e referências. Ao papo!

POR Melissa Lenz 4 MIN

02 ago

4 Min

Ele por ele

POR Melissa Lenz

	

Diretor, produtor, roteirista e aventureiro. Assim é Tim Burton, nome por trás de grandes sucessos do cinema como “Beetlejuice”, “Edward Mãos de Tesoura”, “O Estranho Mundo de Jack” e “A Noiva Cadáver”. O cineasta falou à TOP Magazine um pouco sobre sua infância, suas referências. Tudo abaixo!

NA REAL
O medo é a emoção que define meus desenhos. Eu vim de Burbank, Califórnia, lugar onde as pessoas são mais duras e rígidas. E não tinha medo dos filmes de terror, mas da vida real: dos pais, de ter que ir à escola, de achar um emprego… Mas temor e arrependimento são sentimentos que te impedem de ir adiante. A ideia de “O Estranho Mundo de Jack” – que virou filme em 1993 – era ser um livro infantil, mas foi rejeitado por todas as editoras. Claro que fiquei desapontado…

JOHNNY É O CARA
Gosto muito de trabalhar com Johnny Depp porque ele consegue se adaptar e se transformar muito rápido. Há algo excitante nessas pessoas que são capazes de disponibilizar seu corpo para abrigar diferentes personagens. Filme de terror, por exemplo, em que os atores usam maquiagem, entendo que eles viram outra pessoa ali. Então gosto daqueles que não têm esse problema de ficar se olhando na câmera ou no espelho. Um caso que me deixou muito impressionado foi Michelle Pfeiffer quando foi fazer o teste para o papel de Mulher-Gato. Ela colocou um pássaro vivo dentro da boca e, quando abriu, ele saiu voando!

NO SET
Se já escrevi para atores específicos? Para “Os Fantasmas se Divertem” (1988), a princípio tinha pensado no Sammy Davis Jr., mas ele disse “de jeito nenhum”. E aí veio o Michael Keaton, que, no fim, foi supercorreto para o papel do “Besouro Suco” – Beetlejuice. Ele era aquele personagem! É desse tipo de surpresa positiva que eu gosto. Prefiro não pré-julgar ninguém nem pensar antes da hora que determinado ator seria o ideal para o papel.

INSPIRAÇÃO TUPINIQUIM
Participar do Carnaval no Rio foi uma experiência surreal! Foi minha primeira vez no Brasil, e a paixão que eu vi lá me deixou muito surpreso, assim como a beleza do país. Fiquei muito feliz mesmo. Adorei o modo de vocês se expressarem, de se mostrarem… São muito abertos e criativos. Só de andar na rua e de ver esse ambiente, o grafite nos muros, as pinturas, é tudo muito inspirador para mim.

FILHOS DE TIM
Se fosse descrever os meus filmes, diria que são como filhos. Tem uns que são mais bonitos e outros mais feinhos. Pessoalmente eu gosto muito de “Os Fantasmas se Divertem” e talvez “O Estranho Mundo de Jack”. Sempre que eu faço uma obra ela vira algo muito pessoal pra mim, mesmo que se baseie em alguma outra coisa, como “Alice no País das Maravilhas”. Como gasto muito tempo com elas, acabam virando meus filhos no fim das contas…

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