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17 jul

Ela chegou para ficar…

Com disco recém lançado pela Universal, Mahmundi fala em inspirações, estilos e metas: “Quero falar com o Brasil inteiro”

POR Vanessa Piovezan 2 MIN

17 jul

2 Min

Ela chegou para ficar…

POR Vanessa Piovezan

	

Cantora, compositora, produtora e multi-instrumentista, Mahmundi começou independente. Lançou dois EPS, um CD e por eles acabou recebendo prêmios… e muitos elogios. E em 2016, tudo começou a mudar. Carioca, mudou-se para São Paulo, e com seu álbum de estreia, Mahmundi, ganhou o Prêmio Revelação da APCA (Associação Brasileira dos Críticos de Arte). O single Hit foi a melhor música brasileira pela revista Rolling Stone e no final do ano, ela começou uma parceria com a gravadora Universal Music.
Pronta para a nova fase, a cantora agora vem com a música Imagem, a primeira do seu novo disco, que será lançado em outubro deste ano. O single segue a trilha de suas composições dançantes com uma pegada pop, mas que mistura R&B e funk melody. A mesma estética é experimentada no clipe dirigido por Artur Miranda e produzido por Pedro Ivo Souza, que traz cenas de dança num descontraído passeio pelo bairro de Madureira, na Zona Norte do Rio.

 
TOP: De onde surgiu o nome Mahmundi?
MAHMUNDI: Mahmundi veio da ideia de descrever as coisas que eu via. Na verdade, era um login de MySpace, em 2001. E era aquela coisa: eu pegava uma câmera cyber shot emprestada de amigos, tinha um pen drive, ia à lan house e salvava foto, vídeo de músicas, upava tudo isso e escrevia uns textos. Fiquei nisso de 2000 até 2004, religiosamente. Fiz também um fotolog, que inclusive não tenho a senha, tenho que dar um jeito de apagar (risos) Era esse meu mundo de Marcela. Eu via os artistas, as capas, MySpace era muito isso, né? Você olhava a capa de um artista e não tinha mais informação nenhuma, só entrava lá e ia me conectando com milhões de pessoas. Então Mahmundi era para ser um projeto pequeno de música eletrônica, mas quando vi já estava me apropriando dessa persona, que sou eu e que é isso tudo. Quando estou reunida com cinco pessoas é uma banda, quando estou sozinha sou eu. Acabou me transformando mais numa vibe, numa experiência. É meio isso. E as coisas vão tomando essas formas, de um nome de login de MySpace acaba neste banner ai.

 
Eu gostei do nome…
É o mundo de Marcela e é engraçado porque sempre tive essa pilha com o mundo, tenho vontade de viajar, sabe? De pegar música de todos os lugares do planeta, ver e tentar fazer. Então acaba que o nome, o processo, vai se desenvolvendo ao longo das coisas.

 
Quais ou quem são as suas inspirações?
Eu gosto muito de livro, adoro Ferreira Gullar. Gosto de Michael Jackson, Michael Stipe (R.E.M), Nina Simone… Amo personalidades! Não só pela obra, mas por serem pessoas que consigo me conectar em vida. Nem consigo dar as minhas referências porque, na verdade, vejo pessoas. Eu componho vendo pessoas e ouço música lendo encarte para ver o rosto delas, é bem importante. E sinto que estou no caminho certo quando vejo os meus clipes. É outra pessoa, uma que eu quero ser. Se eu tenho essa reflexão, é porque está funcionando.

 
Quais suas intenções com as suas músicas?
Na verdade, faço as músicas que gostaria de ouvir, sou meio narcisista. (risos) Curto fumar e ficar ouvindo música. Hoje peguei um taxista que estava com um pendrive e ficou me mostrando mil músicas. Gosto dessas coisas, de pessoas que ficam felizes e querem compartilhar música com os outros. É exatamente isso, faço mais essa relação de ser pra mim e pros outros. A geração de hoje em dia tem esse problema do “é tudo meu, eu faço aqui, eu libero quando eu quiser” e isso atrapalha. E os artistas que me inspiraram, tipo os caras da Motown e a própria Nina Simone estudaram pra fazer música, pra irradiar essa coisa. Ainda tenho essa referência de pessoas dos anos 80, eu gosto não só pela música, mas pela compreensão que eles tinham da força do produto que tem e do que se manda para as pessoas.

Você foi contratada pela Universal. Como está sendo essa transição? Até que ponto você pretende manter a liberdade artística? Isso influenciou no seu som?
Não. Eu vivi no auge da gravadora, ia à FNAC comprar os discos que vinham de fora e custavam 70 reais. Lembro que recebia uma ajuda de custo de uma ONG de 150 reais, aí comprava dois discos e ficava sem comer. Me recordo da importância de veicular música francesa e do mundo inteiro com as gravadoras fazendo essas interlocuções. Assim, enquanto tem uma Mahmundi no Brasil, tem 25 milhões de Mahmundi’s nessas faculdades de música lá fora, por exemplo, e eles fazem um acordo muito profissional com as gravadoras: eu produzo boa música e você comercializa e impulsiona. Então é isso. O Brasil tem muito essa coisa do romantismo, do drama. Isso acontece quando você não sabe muito bem o que tem e como comunicar. Eu tenho uma liberdade com a gravadora que acho espetacular. Também, desde o começo me preparei pra isso. Tive a oportunidade de entrar nesse meio em 2010, mas esperei até agora porque sabia que precisava entender o meu produto, pra me embalar e ser um produto. Não há menor problema nisso. E quando as pessoas esperam que a gravadora faça tudo por você, isso tem um preço. Mas é um preço que é negociado. A nossa vida é assim. Eu vejo pelos meus amigos que são autores de livros e que falam que tem editoras em que os artistas fazem a capa e outras em que a própria empresa faz. É um universo que precisa entender primeiro quem você é, a disposição do seu produto. E a Universal para mim é uma grande parceira. As pessoas que estão lá me fazem entender que eu sei fazer música e elas sabem fazer outra coisa, e é por isso que a gente se une.

 

“Imagem” é a primeira música do seu novo disco, que será lançado em outubro deste ano, como você o define?

Acho que definiria como eu saindo do meu quarto, definitivamente. Passei uma temporada lá e hoje em dia, com a parceria da Universal, tenho um estúdio e posso tentar. Passei o domingo inteiro trabalhando, mas tenho horário pra comer, não estou comendo miojo no quarto, sabe? Tem uma hora que tem que passar de fase. Isso tem a ver com a maturidade também. Não adianta continuar no meu quarto comendo miojo aos 30 anos e a vida me chamando pra outro lugar. Então eu estou nesse momento de incorporar essa idade e viver outras experiências, essa coisa da gravadora e de novos profissionais que aparecem. Vai ser um álbum de novas experiências. A palavra do milênio é também colaboração. Todo mundo lá fora faz feating o tempo inteiro e eu acabo fazendo com técnico de mixagem, com pessoal do digital, com marketing, então estamos todos colaborando.

 

Falando nisso, com quem você teria vontade de fazer uma participação especial, um feating?
Tenho vontade de fazer música com todo mundo. Eu fui ao aniversário de uma amiga essa semana e parece que eu sou a carioca que fala e nunca vai (risos) Eu fui passando nas rodas e ouvia assim: você falou que ia fazer uma música comigo e não fez. E eu respondia “cara, é que eu não consigo mais”. Mas eu tenho uma paixão pelo Emicida, é meu irmão. Gosto muito da Karina Buhr, do Rico Dalasam, de Pablo Vittar, da Anitta e do Ed Motta. Cada vez que encontro uma conexão pessoal, a música consegue fluir muito naturalmente, seja jazz ou Paradinha, dá para a gente achar essa ligação. Eu assisto muita entrevista e ouço muita música. Sempre estou apaixonada, querendo fazer coisas. Mas vou terminar meu disco primeiro porque, afinal, agora eu tenho um prazo.

 

Você, com certeza, está se tornando um ícone de moda, por causa do estilo. Como se sente com as pessoas se espelhando em você? É algo natural ou você estranha?
Agora é aquela hora que estou começando a me ligar mais em moda. Ela é uma coisa que me instiga em outro lugar. Fui cortar o cabelo hoje e o cabeleireiro falou: “E se ‘botar’ umas mechas? Um aplique? Você é artista, menina. Tem que ficar mudando”. Mas acho que se modificar com consciência, vai tendo mais lugar. Uma pessoa que sempre achei muito engraçado é o Liam Gallagher, da banda Oasis. É um cara que adotou um jeito de cantar, um britânico emburrado com a mão pra trás sempre de óculos, e aquela figura se tornou um ícone de moda de alguma forma. Então é na vida mesmo. Às vezes nem é mudar o cabelo toda hora, é se encontrar na sua personalidade e você acaba reverberando. Kurt Cobain vendeu mais casaco flanelado do que qualquer festa junina (risos)

 

E como definiria seu estilo?
Eu não sei. Eu acho que… Eu não sei. Eu gosto muito do preto, do branco e de cores únicas assim. Essa coisa do RGB (abreviatura do sistema de cores aditivas formado por Vermelho (Red), Verde (Green) e Azul (Blue)) me aproximou muito da moda. Gosto dos efeitos e de assistir. Mas estou sempre com palhetas muito clássicas. Adoro tênis branco e de me sentir em paz. Por tocar, quero estar sempre numa liberdade cultural. Gosto de umas pulseiras de prata e uns anéis, mas já tomei um choque por causa de um anel no meu dedo (risos). A moda também dá esse lugar pra elegância, você poder ser uma figura refinada, mas acho que vai combinando. Gostaria de chegar nesse lugar. Talvez Jacqueline Kennedy.

 

Você já tem uma lista de conquistas: Prêmio Revelação da APCA, o single Hit eleita a melhor música brasileira de 2016 pela RollingStone, o prêmio Nova Canção da Multishow, fechar um contrato com a Universal… O que mais você almeja? Quais suas próximas metas?
Olha, uma meta é poder viajar para todos os lugares do Brasil sem que as pessoas digam que não podem me levar. Por que artista pequeno tem fã em vários lugares do Brasil por conta da Internet, mas acaba perdendo espaço porque o contratante não tem. Eu lembro que fui fazer um show em Fortaleza e uma menina chegou pra mim e falou: “Eu estou a duas horas da cidade, eu sei que você nunca vai lá então vim aqui ver seu show. Mas meu pai tá muito doente, eu estou voltando, tá?”. Ela pegou uma fila gigante, falou comigo e saiu correndo porque tinha que pegar ônibus pra voltar. Minha meta agora é poder me comunicar com o Brasil de fato. Por isso as parcerias, né? Música está cada dia sendo mais quantizada, os DJs têm mais espaço porque são mais baratos, a gente tá passando por um momento de crise. Se os grandes artistas passam também, imagina a gente. Eu tenho uma gig super compacta e me boto numa van e vou parar nos interiores. Eu queria que 2017 e 2018, com esse trabalho, me desse visibilidade para poder ir. Por que pessoas me estimularam, a internet também, mas só me dando. Hoje eu tento retomar para elas de alguma forma.

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