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Dogville

Com Mel Lisboa e Fábio Assunção no elenco, a adaptação teatral de Lars Von Trier é uma parábola sobre relação entre bondade e desconfiança

POR Walter de Sousa, com exclusividade para TOP Magazine 4 MIN

29 jan

4 Min

Dogville

POR Walter de Sousa, com exclusividade para TOP Magazine

	

Num período em que o ódio encontra motivo para aflorar em qualquer discussão banal, é oportuno repensar de que forma a bondade pode se expressar e em que proporção a desconfiança pode dissipá-la. Dogville, montagem teatral baseada no filme homônimo do diretor dinamarquês Lars Von Trier de 2003, em cartaz no Teatro Porto Seguro, em São Paulo, trata do altruísmo da jovem Grace, que, perseguida por gângsteres, se refugia na cidade que dá nome à peça, e é acolhida com crescente desconfiança por sua população. Na produção de cinema, casas e ruas do lugarejo são marcados no chão de um galpão, enquanto a ação é centralizada pela atuação dos atores, uma referência direta ao universo teatral. A adaptação dirigida por Zé Henrique de Paula faz o contrário: usa elementos cinematográficos na interação entre personagens, usando cortes e projeções.

Mel Lisboa é Grace, e a população da cidade é dividida entre os atores Eric Lenate, Fábio Assunção, Bianca Byington, Marcelo Villas Boas, Anna Toledo, Rodrigo Caetano, Gustavo Trestini, Fernanda Thurann, Thalles Cabral, Chris Couto, Blota Filho, Munir Pedrosa, Selma Egrei, Dudu Ejchel e Fernanda Couto.

Os 16 atores ocupam o palco do início ao fim da peça, articulando a arrogância dos moradores de Dogville, situado nas Montanhas Rochosas, que cortam parte da geografia dos Estados Unidos, em pleno período da Grande Depressão, nos anos 1930. O destino de Grace é decidido gradualmente em reuniões de moradores, ao passo que ela aceita as resoluções de forma abnegada.

A montagem teatral preenche o vazio cênico do filme com cadeiras. Ao mesmo tempo que elas representam a imobilidade acomodada dos que vivem na pequena cidade, empobrecida pela Grande Depressão, simbolizam o centro existencial do indivíduo, no qual ele se isola na sua indiferença com o outro. Reunidas, as cadeiras somam o corporativismo dos que estão dentro contra aquele que vêm de fora.

Invísivel, personagem essencial da história é o cão Moisés, a lembrar, com seu constante latido, que a dignidade humana só depende da Humanidade. Uma citação do dramaturgo Harold Pinter que abre a peça na fala do narrador, assinala que “apesar de todas as enormes dificuldades, [é preciso] ter uma determinação inabalável e inflexível para buscar a verdade de nossas vidas e de nossa sociedade”. Isso, certamente, até nas discussões mais banais do nosso dia-a-dia.

 Fotos: Renato Mangolin

Serviço:

Dogville

Adaptação teatral do filme de Lars von Trier

Direção: Zé Henrique de Paula

Elenco: Mel Lisboa, Eric Lenate, Fábio Assunção, Bianca Byington, Marcelo Villas Boas, Anna Toledo, Rodrigo Caetano, Gustavo Trestini, Fernanda Thurann, Thalles Cabral, Chris Couto, Blota Filho, Munir Pedrosa, Selma Egrei, Dudu Ejchel e  Fernanda Couto.

Duração: 100 minutos.

Local: Teatro Porto Seguro, Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos. Telefone (11) 3226.7300.

Horário: sextas e sábados às 21h e domingo às 19h. Ate 31 de março.

Ingressos: Sextas-feiras R$ 80,00 plateia / R$ 50,00 balcão/frisas. Sábados e domingos R$ 90,00 plateia / R$ 60,00 balcão/frisas.

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