TOP Magazine

04 dez

Dia da Publicidade

Conversamos com o mestre no assunto, Marcelo Serpa. Vem saber...

POR Leão Serva 2 MIN

04 dez

2 Min

Dia da Publicidade

POR Leão Serva

	

Um dos publicitários mais bem-sucedidos do Brasil se aposentou com 35 anos de profissão. Marcello Serpa, 53, vendeu sua parte na agência Almap-BBDO, a mais premiada do país, empacotou as coisas e foi com a mulher e crianças para o Havaí por um tempo indefinido, numa casa em frente ao mar, onde pinta quadros e surfa. A TOP Magazine o entrevistou na semana da viagem, tentando tirar dele uma dica de que o plano é só uma parada antes de voltar ao mercado com nova empreitada empresarial. Mas nada. Ele embarcou em uma espécie de sabático, na tentativa de realizar um velho sonho anterior aos 18 anos, quando acabou embarcando no design e na publicidade. O pintor e o surfista esperaram pacientemente por 35 anos, enquanto o publicitário cresceu e se destacou nas melhores agências como um criativo de gosto apuradíssimo. Aos 31 anos virou sócio da Almap BBDO, e a pilotou por 22. Surfe e pintura, conviver com os filhos e pisar todos os dias na areia da praia. Poderia ser um fim. Mas também não é. Marcello sabe que volta. Não sabe quando e nem qual será a persona. Sorri apenas quando diz ter certeza de que não será como campeão mundial de surfe.
TOP – No meio dessa imensa crise no Brasil, você foi morar no Havaí. Não tem como não associar…
Marcello Serpa – Foi uma coincidência. Eu jamais gostaria de sair do país fugindo de alguma coisa. Eu decidi há muitos anos que faria propaganda até um momento, depois teria um break para dar uma chacoalhada, bagunçar a minha própria vida e descobrir coisas novas a fazer.
Essa crise teve influência na sua decisão de parar agora?
Ajudou, porque ficou mais chato, mais maçante. Mas não foi determinante.
O que você busca?
Bom, primeiro, jamais serei um surfista importante aos 53 anos. Pintura é uma necessidade minha. Mas não vou buscar nela algum tipo de importância que talvez eu tenha conseguido como publicitário. É uma necessidade interna de criar, produzir e se testar.
E você acha que a propaganda daqui a esse tempo terá encontrado um caminho?
Eu acho que a crise não termina, ela vai dissolver as estruturas antigas de comunicação, com consequências que são complicadas para a sociedade como um todo, não só o mercado publicitário. Está havendo uma crise de comportamento das pessoas em relação às mídias. E as mídias sociais, por exemplo, tem um impacto muito grande sobre isso. As pessoas montam a sua fonte de informação do jeito que lhes apetece. Elas só se cercam de pessoas que pensam de maneira parecida e vão formando bolhas de gente que prega para convertidos. Isso gera um grau de intolerância ao diferente, que se transforma em inimigo. Está acontecendo na Inglaterra, no Brasil desde 2013, na Copa, Olimpíada, Dilma, Temer. O bom senso não dá “like”, o extremismo dá “like”. O resultado é que nunca se falou tanto de diversidade e nunca se aceitou tão pouco a diversidade. Você é obrigado a ter um pensamento único, mas a diversidade, realmente, significa que você pode ter ao seu lado uma pessoa que pensa completamente diferente de você.

Publicitários costumam ter ego muito forte, chega a flertar com autoritarismo. E aí os subordinados têm medo de errar, de tomar um esporro, etc. Como é o seu perfil como chefe?
Eu discordo da premissa. Publicitários têm ego muito forte, há razões para isso, porque vivemos do elogio. Nós trabalhamos para elogiar marcas e produtos. É tanto elogio que acaba elogiando a si mesmo. Mas têm médicos, jornalistas, engenheiros, donos de empresas tão ou mais vaidosos do que publicitários. Eu acho que se um diretor de criação é muito autoritário, não tem problema. Se o cara é bom pra cacete, ele diz “Vamos fazer assim!” Se ele tiver convicção suficiente, ele vai fazer, se for bom vai acertar; se errar, vai assumir a responsabilidade sobre o erro. Qual é o medo na criação? De não ser tão bom, fazer um trabalho meia boca, que para mim é errar. O que eu tenho receio hoje é o departamento de criação onde todo mundo é team work. Quando você tem muito trabalho coletivo, você divide de tal maneira as tarefas, que dilui as responsabilidades e a criatividade. Eu prefiro ser dono de 1/16 de uma ideia do que ser dono 100% de um fracasso. Quando você divide tudo, divide o mérito e a culpa.
A TOP Magazine ganhou três leões de bronze (em 2011, 2014 e 2015) graças a parcerias com você. Você gosta de trabalhar para revistas?
Há alguns anos, o Claudio Mello (Publisher da TOP) me procurou para fazer um projeto editorial para a TOP Destinos. Ele era muito amigo de um amigo nosso, Tomás Lorente, falecido, que tinha feito o primeiro projeto da revista. Eu fiz uma proposta com caixas moduladas, muito interessante e simples, usando as caixas e cores. Claudio “comprou” na hora, fez a revista, e ficamos muito próximos. Começamos a fazer campanhas para a Top, e ganhamos os três prêmios em Cannes. O Claudio foi sempre espetacular, porque aprovava tudo.

  • COMPARTILHE
VOLTAR AO TOPO