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17 jul

Da Água para o Vinho

Sabia que o vinho rosé é mais leve e perfeito para o calor? Quem conta é Ruy Belchior, dono da Premium Drinks Brasil e de uma boa história sobre essa bebida que cada vez mais conquista o Brasil

POR Simone Blanes 5 MIN

17 jul

5 Min

Da Água para o Vinho

POR Simone Blanes

	

Saint-Tropez, sul da França, 2010. Poderia ter sido só mais uma viagem de férias de Ruy Alexandre Belchior, se não fosse por uma conversa reveladora, que aconteceu meio que sem querer, com um brasileiro que, por obra do destino, também estava por lá. Sabe aquele ditado “estar no lugar certo, na hora exata”? Pois bem, foi assim que começou a história de sucesso da importadora de bebidas Premium Drinks Brasil. “O estalo veio desse senhor que estava bebendo vinho rosé com a família. Eu e meu amigo fomos perguntar o que era e, depois que provamos, ele deu esse toque de que poderíamos fazer dinheiro com isso no Brasil”, lembra Ruy. “Levei dois dias para pensar e ver que aquele homem tinha razão. E, mesmo sem entender nada do negócio, lá fomos nós pesquisar quais eram as melhores marcas de vinhos rosé”, conta. Em seguida, ele partiu para as vinícolas e acabou até levantando suspeitas dos proprietários dos chateaux por sua aparência bastante jovem. “Imagina chegar um cara de 24 anos para falar com o dono da vinícola que está lá há 400 anos. Mas tive sorte e conversas produtivas. Falei do meu interesse em representar os vinhos no Brasil e a maioria só perguntou se podia pagar a primeira remessa à vista, porque
não nos conhecia. Em seis meses, importamos o vinho rosé para o país.”
2018. Oito anos após essa aventura, eis que o business do empresário carioca domina o mercado brasileiro, sendo referência entre os mais badalados restaurantes nacionais, nos quais ele mantém exclusividade sobre as cartas para vinho rosé e, recentemente, vinho branco. Bagatelli, Corrientes 348 e Tessen fazem parte do portfólio da empresa, que conta com filiais em São Paulo, no Rio de Janeiro e no sul do país. “O bom é que ninguém acreditava em vinho rosé e consegui enxergar essa tendência, até porque é uma bebida que combina com sol e praia. Bem Brasil, não é?”, atesta Belchior, que, antes, trabalhava no mercado financeiro e hoje toca o dia a dia das importadoras, agora também fornecedoras de hotéis de luxo como o Copacabana Palace, Emiliano e Palácio Tangará. Mas, para chegar até aí, Ruy enfrentou situações difíceis, como o primeiro lote de vinhos rosé que trouxe ao Brasil. “Foi com o Minuty, nosso rótulo mais famoso. Quando negociei em Saint-Tropez, tinha certeza de que era o Minuty Premium. Mas, ao ver o contêiner, qual foi a minha surpresa: era outro vinho”, sorri. “Liguei para o cara, e era esse sim. Eu achei barato, mas não falei nada. Deixei rolar. Por sorte, vendeu em dois meses. Todo mundo gostou, até porque o vinho é muito bom.” Outro problema é a burocracia. “Você não tem um país, e sim 27 estados, então para distribuir é difícil. Fora que ninguém sabe direito essas leis. Até hoje a gente paga muito para fazer direito e não levar multas”, diz ele, que no início penou bastante antes de acertar a mão nessas questões. “Foi um perrengue. A primeira carga ficou presa no porto uns dois meses. Até aprender, perdi muito tempo e dinheiro. Mas
nunca pensei em desistir”, afirma. “Hoje sou viciado em vinhos. Complicado só é ter que beber todo dia. Tem dias que não quero, mas não tem essa. Experimento para ver o que funciona por aqui”, diz ele, referindo-se às frequentes degustações de novos rótulos e bebidas. Mas não dá ressaca? “Claro que dá. Aí tomo café e vai. Também procuro me exercitar. Faço corrida, natação, musculação, por hobby e pela saúde, porque bebida todo dia ferra, né?” Nada, porém, que atrapalhe o espírito obstinado de Ruy, que acompanha tudo de perto. Capricorniano, ele mantém os pés no chão e fala com todas as letras: está feliz. Até porque realmente aprecia o vinho rosé. “Gosto de churrasco, de encontrar os amigos, de praia e de beber cerveja, vodca e, claro, um bom vinho.” Entende agora por que Ruy se dá muito bem nesse negócio? Para bom entendedor, meia palavra basta.

Fotos: Raphael Briest

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