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CELULAR SOBRE RODAS

POR Fernando Calmon 3 MIN

21 nov

3 Min

CELULAR SOBRE RODAS

POR Fernando Calmon

	

Se há um tema que provoca muitas dúvidas e, às vezes, discussões acaloradas é a condução autônoma. Dividida em
cinco níveis, dos quais os três primeiros já apontam para uma tecnologia praticamente dominada e os dois últimos
ainda por definir prazos, este recurso vai se incorporar ao dia a dia inexoravelmente. O problema é saber quando, de
que forma e por quanto.
O atual Nível 3 de autonomia está disponível em, pelo menos, três modelos no exterior: Tesla 3, Cadillac CT6 e Audi A8.
Vários outros fabricantes dispõem de tecnologia semelhante, mas relutam em oferecer: temem o mau uso do recurso.
Na Europa não é possível, ainda, homologar um veículo desse tipo para rodar em estradas e ruas de livre trânsito. Já os
EUA liberaram, mesmo depois de alguns acidentes.
O risco do Nível 3 é a possibilidade de burlar o sistema, que se desliga automaticamente dependendo de certos fatores
entre eles velocidade, número de faixas de rolamento, sinalização horizontal e vertical e vias expressas. No Tesla, por
exemplo, há uma zona cinzenta entre os Níveis 2 e 3. Basta, por exemplo, um leve encostar de mão ou perna no volante
para o carro seguir em frente de forma autônoma.
Os EUA argumentam que muitas vidas foram poupadas em acidentes evitados, apesar de imperfeições, uso abusivo e
mortes. O Nível 4, totalmente autônomo, se mantém em testes. Mas, quando alcançar homologação, entre 2020 e 2021,
o preço será muito alto. Sem ninguém ao volante, ainda estará limitado a serviços em percursos restritos e dentro de
perímetro de cerca eletrônica.
Algumas empresas, como a fabricante alemã de equipamentos ZF, afirmam que antes de 2030 a tecnologia não estará
madura para o chamado robô-táxi de livre circulação. A Ford também argumenta existir um otimismo exagerado com
os prazos. A Waymo, subsidiária do Google para automação veicular, segue em frente com os testes, porém visa ao uso
comercial no transporte de pessoas e bens.
Interessante são as apostas em conectividade, via rede celular 5G, capazes de reduzir a frequência de acidentes por uma
fração do custo de um veículo totalmente autônomo. Essa alternativa vai se expandir logo que a comunicação pelo ar,
até 20 vezes mais rápida que a 4G atual, for sendo implantada ao redor do mundo. Conhecida pela sigla em inglês C-V2X
(Veículo Conectado a Tudo via Celular), permitirá interações bastante eficientes a fim de antecipar situações de perigo
que o próprio motorista ou o carro poderão evitar.
A empresa iniciante inovadora (startup) israelense Waycare é uma das especialistas nisso. Em vez de investir em
caríssimos equipamentos para que o motorista esqueça o volante — se tiver dinheiro suficiente para adquirir um
automóvel autônomo de Nível 4 — ela trabalha com os administradores de trânsito. Estes poderão analisar, em tempo
real ou bem próximo a isso, as situações de risco e avisar aos motoristas no intuito de evitar colisões.
Quanto ao Nível 5, quando se eliminarão volante e pedais nos autônomos, é algo tão caro que ninguém, hoje, consegue
calcular com o mínimo de exatidão o seu preço. Muito melhor investir no que está à mão: um telefone celular
ultrarrápido sobre rodas.

ALTA RODA

Confirmado o investimento de R$ 220 milhões da PSA, em sua fábrica de Porto Real (RJ), para produção de modelos
compactos e médios-compactos sob a nova arquitetura modular CMP. Argentina já garantiu a fabricação, em 2020, do
novo Peugeot 208 e também o 2008. Fontes da coluna indicam que, no Brasil, começará pela nova geração do Citroën
C3, em 2021.
Programa IncentivAuto, do governo paulista, aprovado pela Assembleia Legislativa, poderá ser o último ainda sob as
regras que devem mudar com a reforma tributária nacional. Incentivos são moderados: 2,5% de isenção do ICMS para
cada R$ 1 bilhão investido e mínimo de 400 novos empregos diretos. Pode ajudar nessa fase inicial de recuperação
econômica do País.
Civic Touring só desaponta pelo preço alto, pois continua a impressionar no uso urbano e em estradas pela
dirigibilidade de alto nível. Motor turbo (173 cv) garante bom desempenho sem consumo exagerado, embora o câmbio
CVT imponha limites. Freio de autoimobilização eletromecânico (auto-hold) é extremamente útil no para e anda do
trânsito.
Alternativas como gás (natural ou biogás) podem ajudar na diminuição de emissões em ônibus e caminhões,
explicitadas na feira do setor, Fenatran, em São Paulo. Cummins, Scania e Iveco oferecem essa solução. Mercedes-Benz
aposta no óleo vegetal (HVO), utilizável de imediato. VW desenvolve aplicações elétricas para entregas urbanas, mas
preço muito elevado atrapalha.
Reciclagem de veículos no Brasil beneficiaria o meio ambiente e a própria indústria automobilística. Peças recicladas e
reutilizadas, especialmente as de plástico, saem a um custo muito menor. Segundo Ariane Marques, química da BASF,
evita-se a busca incessante por matérias-primas, um dos fatores que encarecem a produção de novos modelos.

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