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Carol Castro

A atriz, a mãe, a mulher — alguém bem difícil de esquecer... E muito fácil de amar!

POR Simone Blanes 7 MIN

04 out

7 Min

Carol Castro

POR Simone Blanes

	

 “Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez”.  Essa é uma frase bem emblemática para Carol Castro. Apareceu, em 2013, num daqueles momentos cruciais da vida. “Era a final da Dança dos Famosos e eu estava no auge do cansaço pelos ensaios e gravações de Amor à Vida. Um dia antes tinha gravado uma cena difícil, de uma mastectomia. Não sabia se conseguiria dar conta, até que, ao entrar no carro da Globo, sentei em um marcador de livro com essa mensagem. Não acreditei.” Sair vitoriosa, então, não esperava. Assim como nem passava pela sua cabeça deixar o Festival de Cinema de Gramado deste ano com um Kikito nas mãos. Mas, como é determinada e pautada pela premissa “força, foco e fé”, ela deu um jeito e foi não só prestigiar a exibição do filme Veneza, de Miguel Falabella, como encarou uma verdadeira odisseia para chegar a tempo para a premiação. “Meu voo era às 15h, e as 13h30 ainda estava no Projac, toda suja de sangue do tiro que a Helena levou (sua personagem em Órfãos da Terra). Consegui mudar para as 16h50 e foi o tempo de me limpar com lenços umedecidos, fazer um coque e ser maquiada dentro do carro, a caminho do aeroporto. Coloquei o vestido no banheiro do avião e o salto e as bijoux dentro do carro, a caminho de  Gramado. Fui a última a atravessar o tapete vermelho, mas deu certo”, sorri. Tanto que arrebatou o primeiro prêmio de sua carreira, como melhor atriz coadjuvante, que dedicou à filha Nina, de 2 anos. “Ela é meu Sol. E justamente um Kikito, que eu respeito tanto, e por esse filme, que fiz seis meses após o parto. Muito especial.” Quer mais uma saga de Carol? Este ensaio para TOP Magazine, em Fernando de Noronha. “Uma aventura. Primeiro porque até os 45 do segundo tempo, não sabia se conseguiria ir. Tive uma grande ajuda da produção e direção da novela e ainda saí com o coração apertado, porque era a primeira vez que ficaria mais de dois dias longe da Nina”, conta. Depois vieram os contratempos pelo mau tempo: o avião não conseguiu pousar e teve que retornar para Recife. “Deu uma certa frustração, mas, ao mesmo tempo, uniu a equipe. A gente saiu para jantar, conversou, riu, chorou as pitangas (risos). No dia seguinte, conseguimos chegar, encontramos o Federico (Goyret) e a Livia (Kinoshita) da Renault e foi bacana conhecer o lado pessoal deles, de como foi especial essa transformação da ilha elétrica, de fazer o bem e não poluir. Muito legal estar nesse projeto, sempre quis fazer algo assim por Fernando de Noronha.” Ela gosta tanto de lá que, mesmo depois de tanto rebuliço, encarou até um mergulho noturno com o publisher Claudio Mello para ver tubarões! Pois é. Essa é Carol: intensa, de grandes emoções. Das várias mudanças de casa para acompanhar a mãe Cecília Castello Branco na infância — ela morou no Rio, em Natal (RN) e em Bauru (SP) —, passando pelos percalços de começo da carreira que começou aos 16 anos, sendo impedida pelo juizado de menores de atuar na peça do pai Luca Castro, Incrível Encontro, por ser menor de idade, até o nascimento de Nina — “uma linda surpresa e um grande aprendizado”, nada nunca foi mais ou menos na vida da atriz. “Gosto que seja assim.” Como diz a canção de Seu Jorge, “Carolina é uma menina bem difícil de esquecer…”

E como anda sua vida?
Anda bem. Trabalho, maternidade, tudo nos conformes. Quando vira mãe, é tão forte, difícil colocar em palavras. É uma mudança na vida de 360 graus porque você conhece um amor que jamais imaginava existir. Mudam seus planos, sonhos, sai do singular e vai para o plural de uma forma muito intensa. Costumo brincar com um trocadilho: você “amãedurece”. E a Nina é meu Sol, uma força de viver. É esperta, antenada, adora música e dançar. Já a levei a alguns concertos, até porque o pai dela (Felipe Prazeres) é músico e toca violino, mas ela gosta de tudo. Vive cantarolando músicas infantis, mas evito que ela tenha muito contato com telas em geral. Eu a estimulo a brincar e folhear livros.

Você é uma mãe mais leoa ou coruja?
Sou um pouco das duas. Sou bem coruja, que acha tudo que ela faz lindo, uma conquista, uma descoberta, mas ao mesmo tempo tenho essa coisa de “não mexe com a minha cria”, sabe?

Da última em vez que falamos, você ia casar pela primeira vez. De lá para cá, já casou, se separou, casou de novo, teve a Nina… O que mudou nesse tempo?
Ah, muita coisa. Desafios, planos feitos e desfeitos. Fui muito surpreendida pela vida. Até pela vinda da Nina, que não foi planejada, e sim uma linda surpresa. A gente aprende que tudo tem sua hora e a ser mais pé no chão. Entende que as coisas nem sempre são como você quer, a ter mais paciência, aceitar as mudanças em todas as situações. Isso é maturidade, né? Ter a Nina foi um grande aprendizado. Passei a dar mais valor à vida, à existência em geral. Estou realizada como mãe, como mulher, mas num momento em que estou me redescobrindo… Eu tive parto natural, uma experiência muito intensa, empoderada, e mais do que nunca senti que filho é uma parte de você. Agora, dois anos depois, estou voltando a ter as minhas referências, resgatando a minha essência. Precisamos desse tempo, não dá para atropelar.

E casamentos, foram dois. Ainda acredita nele?
Pergunta profunda (risos). Eu tenho um romantismo bem mais forte do que eu. Confesso que ele andou bem abalado ultimamente, mas, dependendo da experiência que eu viver, pode ser. Por enquanto, é um lado que está adormecido, mas pode acordar. Não temos como saber o que vai acontecer, né?

Como ganhar um Kikito, né?
Que bela surpresa! (risos) Quando soube que Veneza ia concorrer, já fiquei empolgada, porque é a primeira vez que participo de um festival com um filme. Fiz de tudo para estar lá: ficava naquela agonia de sair o roteiro, e milagrosamente soube que não ia gravar na quinta-feira. Fiquei feliz por estar ali com o Miguel (Falabella) e o elenco na exibição, consegui participar das coletivas de imprensa no dia seguinte, mas tive que retornar porque gravava no sábado de manhã. Mesmo assim, mantive a esperança de voltar para a premiação, ainda mais pelos boatos de que eu poderia concorrer. Comprei uma passagem do meu bolso para tentar ir no próprio sábado, às 15h. Refiz a mala de mão com vestido e sapato, mas sabia que tinha uma cena difícil, de quando a personagem leva um tiro. Eram 13h30 e ainda estava no Projac, suja de sangue. O próximo voo para Porto Alegre era às 16h50, mas não desisti. Foi o tempo de me limpar com lenços umedecidos, fazer um coque e ser maquiada no carro, a caminho do aeroporto. Nisso, soube que entregaria o prêmio de melhor filme estrangeiro. Coloquei o vestido no banheiro do avião, e o salto e as bijoux dentro do carro, a caminho de Gramado. Fui a última a atravessar o tapete vermelho, mas deu certo. Ao anunciar a minha categoria, só fechei os olhos, e quando falaram meu nome dei um pulo da cadeira. Não acreditava. Foi o primeiro prêmio da minha vida. Subi no palco, agradeci a equipe, ao Miguel e dediquei à Nina, até porque foi meu primeiro trabalho depois de ser mãe, estava com seis meses pós-parto. Também pela personagem, a Madalena, que representa o amor em sua forma mais pura.

E a Helena, de Órfãos da Terra, uma mulher que se envolve com um homem casado. Já te repreenderam na rua?
Sabe que não? É uma situação delicada, só que temos que defender o ponto de vista da personagem, até porque, no caso dela, não foi por mal. É uma coisa que acontece, bem diferente da Gracinha (de Mulheres Apaixonadas), por exemplo, que tinha aquela picuinha. A Helena se sentia mal em relação à mulher dele.

E se acontecesse com você de se apaixonar por um homem casado? O que faria?
Não tenho noção. Graças a Deus nunca estive nessa situação. Ainda mais eu, que prezo tanto a pessoa com quem estou.

Falando nisso, e o Bruno Cabrerizo?
Estamos nos conhecendo. Engraçado que já estávamos antes dos nossos personagens se envolverem na novela. Ele mora na Itália, tem dois filhos lá, e ao anteciparem o retorno dele, por ironia do destino, voltou na vida da minha personagem. Mas estamos vivendo o agora, sem rótulos. Por que duas pessoas solteiras não podem sair, se beijar?

Ainda sobre a novela, ela discute um tema delicado: a questão dos refugiados. Algo que vem desde a Segunda Guerra Mundial e já colocou mais de 65 milhões de pessoas nessa situação, sendo a guerra da Síria a maior responsável pelo crescimento desse fluxo. Qual sua opinião e posição sobre isso?
É um tema que mais do que nunca precisa ser discutido. Dá muita indignação, porque somos todos filhos da Terra, é como se não existissem fronteiras. É triste ver essas pessoas morrendo por brigas que não levam a nada e nem são delas. Não consigo entender essas guerras. Acho tudo isso injusto, cruel, então o que precisamos fazer é abraçar e acolher, porque eles também têm direitos. Está tudo errado. Os valores, os conceitos no mundo, tudo muito preocupante.

Vamos falar de coisas boas. Este ensaio foi feito em Fernando de Noronha, um paraíso na Terra e que, sabemos, você adora. Qual sua relação com a ilha?
É curioso porque não é uma relação de muitos anos. Eu cresci em Natal (RN), mas nunca tinha ido. Só fui conhecer em 2013, e foi tão impactante, tão amor à primeira vista, que passei o réveillon de 2013 para 2014 e depois emendei mais uns três finais de ano lá. É o meu lugar! É o que mais mexe comigo, me transforma, me conecta, me reenergiza. Tenho muito afeto pela ilha.

Como foi essa viagem com a TOP e o que achou da iniciativa da primeira ilha elétrica do Brasil?
Foi uma aventura. Primeiro porque até os 45 do segundo tempo, não sabia se conseguiria ir. Tive uma grande ajuda da produção e direção da novela, e ainda saí com o coração apertado, porque era a primeira vez que ficaria mais de dois dias longe da Nina. E lá tivemos os contratempos de não conseguir pousar no primeiro dia, aí volta para Recife, pega mala… Deu uma certa frustração, mas, ao mesmo tempo, uniu a equipe. A gente saiu para jantar, conversou, riu, chorou as pitangas (risos). No dia seguinte, conseguimos chegar, encontramos o Federico (Goyret) e a Livia (Kinoshita) da Renault e foi bacana conhecer o lado pessoal deles, de como foi especial essa transformação da ilha elétrica, de fazer o bem e não poluir. Muito legal estar nesse projeto, sempre quis fazer algo assim por Fernando de Noronha.

O que mais gosta de lá?
Amo a Baía do Sancho, mas como estava chovendo, não fomos. Adoro estar em contato com a água, teve meu mergulho noturno com o Claudio, que foi o máximo. Acabou sendo um batismo para mim, lá vendo os tubarões. Amo essa adrenalina.

 

E dirigir, gosta? O que achou dos carros elétricos?
Adoro. É outra paixão minha. Se tivesse nascido homem, seria piloto. Gosto de velocidade. E esse carrinho é pequeno, não tem barulho, mas supervalente. Fiquei impressionada.

Em Noronha, não é em todo lugar que pega celular, algo que hoje ninguém vive sem. Como vê essa revolução tecnológica e como lida com as redes? Estava falando sobre isso outro dia: o quão interessante é ser dessa geração que viveu esses dois tempos, sem e com as mídias sociais. Antes, o que acontecia na adolescência, ali ficava. Hoje vai tudo para as redes. Não é mais o futuro, é o presente. Mas eu procuro usar com sabedoria. Não ficar o tempo todo no celular quando estou com a Nina, até porque viver o off line é muito mais legal. Gosto de postar, de ver o que está acontecendo, só temos que ter cuidado, porque do mesmo jeito que aproxima, distancia.

E esse corpão?
Ainda estou me recuperando. Meu choque maior foi em Veneza, meu primeiro trabalho pós- maternidade, seis meses depois da Nina nascer. Estava amamentando, mas fiquei empolgada quando recebi o convite porque tinha a Carmen Maura no elenco, que é um ícone para mim. Ia fazer uma das meninas dela, uma prostituta, imagina?  E não podendo fazer dietas radicais, sem tempo de ir à academia, então tive que me virar em casa. Contratei uma profissional que trabalhava com grávidas e pós-parto e uma nutricionista, que me deu uma dieta focada no leite. Foi dando certo. O parto natural também ajuda, mas o meu pós não foi tão tranquilo assim. Tive uma série de contratempos, queria vender a casa, não me sentia segura lá. Aí mudei para um apartamento com a neném no colo. Também tive um acidente doméstico, o cachorro pegou a minha gata e eu vi tudo, foi traumático. E ainda tive uma mastite, que dificultou a amamentação e a separação, que nunca é fácil, né?

Como está mantendo agora?
Voltei a treinar com meu personal trainer Alexandre Monteiro, mas minha prioridade é a Nina. Se colocar na balança ficar com ela ou ir à academia, eu fico com ela. Vou quando ela dorme, está com o pai…

Quer mais filhos?
Vontade dá. Estou meio que deixando no ar, nas mãos do destino. É uma possibilidade. Para mim seria muito mágico viver isso de novo.

Voltando às novelas, lembro que anos atrás disse que a cena da mastectomia que fez como a Silvia em Amor à Vida foi forte e marcou sua carreira. De lá para cá, qual cena ou trabalho destacaria?
Velho Chico foi muito intensa. A novela toda foi arrebatadora para mim, desde a preparação diária de quase três meses com o elenco em um galpão até toda a história da Iolanda, que foi a minha primeira oportunidade de realmente mostrar meu trabalho e de me verem como pessoa, mesmo com tantos anos de estrada. Se for destacar uma cena, seria uma sequência noturna com o Rodrigo (Santoro) na Urca, de muita emoção, em que o personagem dele finalmente disse que a amava.

Outros projetos?
O Veneza deve participar de outros festivais, em Miami e na Itália. Acabei de rodar uma participação no filme O Garoto, do Bruno Saglia, que ainda não tem data de estreia e, finalmente, vai estrear O Juízo, do Andrucha Waddington, que filmei em 2016, quando, aliás, descobri que estava grávida da Nina. Quero tentar tirar duas semanas de férias com ela em Noronha ou outro lugar do Nordeste. Um pouco de calma, paz, sombra e água fresca! Mas estou aberta às surpresas da vida!

Vem conferir o nosso vídeo exclusivo com  Carol Castro, nossa capa da edição 242. Corre nas bancas!

Foto: Angelo Pastorello
Vídeo: Jonathan Carvalho
Styling: David Loreti
Beleza: Rogério Magalhães

                                                                    

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