TOP Magazine

Caminho iluminado

Conheça a trajetória de Alok, o melhor DJ do Brasil

POR Marília Aguena 2 MIN

14 jun

2 Min

Caminho iluminado

POR Marília Aguena

	

Provavelmente você já vai ter na sua playlist, mas, antes de começar a ler este texto, procure na internet a música Hear Me Now. É o moço da foto acima que produziu a canção, sucesso nas principais festas do país e fora dele. E foi com ela que o DJ Alok Petrillo, de 25 anos, alcançou o número que nenhum artista brasileiro jamais havia conseguido: superar 100 milhões de execuções no serviço de streaming Spotify. Grande feito, ainda mais em tempos de boom sertanejo no Brasil. Mas vamos ao começo… Coincidência ou não, Alok nasceu em Goiânia, berço do ritmo caipira, mas passou a infância longe de violas e sanfonas. Filho dos DJ’s Ekanta e Swarup, criadores do festival Universo Paralello, ele começou a tocar aos 12 anos de idade, ao lado do irmão gêmeo Bhaskar Petrillo. Mas a música entrou bem antes em sua vida, quando ainda estava na Holanda com sua mãe e irmão. “Tínhamos uma vida muito simples. Morávamos numa construção invadida por outros imigrantes. Lá, um lugar abandonado por mais de cinco anos você pode invadir e morar”, conta. Nesse período, a mãe de Alok, já separada do marido, teve de se virar com todo tipo de job. “Minha mãe conheceu a música eletrônica quando era faxineira em uma boate. Ao voltar para o Brasil, já tinha entendimento e material, porque o cunhado dela trabalhava em uma gravadora e cedia alguns vinis.” Mesmo com toda a dificuldade em quase quatro anos vivendo assim, Alok relembra a época com muito carinho e brilho no olhar. “Eu realmente sinto que continuo o trabalho dos meus pais. Cheguei a ficar inseguro uma vez, até fui cursar relações internacionais, mas não teve jeito. Meu caminho é a música.” (continua depois da foto)

Na verdade, essa certeza veio cedo. “Minha primeira apresentação foi terrível, toquei pra 30 pessoas, errei todas as mixagens e saí chorando da festa. Achei que nunca ia poder fazer isso. Na segunda já estava melhor, toquei para 300 pessoas. E na terceira, toquei para 6 mil, num réveillon. Foi ali que senti que a música faria parte da minha vida pra sempre”, diz ele, que acaba de lançar mais uma canção, novinha em folha: Never Let Me Go.
Quem acompanha @alok no Instagram – com mais de 1,4 milhão de seguidores – vê a loucura que é o fim de semana do artista ao se deslocar de jatinho e helicóptero de uma festa para outra. Chega, às vezes, a tocar em cinco lugares em diferentes estados. O ritmo é tão frenético que uma das perguntas mais feitas no Google sobre o DJ é “Alok não dorme?”. “Realmente tenho dormido pouco. Quando não estou tocando, continuo trabalhando porque produzo minhas músicas, mas meu trabalho me reabastece”, conta o DJ, que, embora seja bastante assíduo nas mídias sociais, consegue também perceber um lado não tão legal quando o assunto é justamente o desrespeito em opiniões distintas na internet. “Eu acho que hoje as pessoas são muito intolerantes. É impressionante. Ainda mais nas redes sociais. Se você tem uma posição política ou um time diferente, já viram seus inimigos. É preconceito, talvez, mas acho que tem pessoas que são inflexíveis até ao meu estilo musical, ao meu gosto e ao que eu acredito.”


Ponto de vista bastante ousado para o jovem, que, mesmo com a pouca idade, tem um currículo extenso e agora colhe os louros da vitória. Em 2016, foi eleito o 25º Melhor DJ do Mundo pela revista inglesa DJ Mag. No mesmo ano, ficou com a primeira posição no ranking brasileiro. A trajetória iluminada parece até predestinação. O nome Alok foi escolhido pelo filósofo e líder espiritual indiano Osho, e significa luz, em sânscrito. “Sou muito jovem, ainda estou descobrindo o meu real propósito, mas ainda falta muito para mim, quero deixar um legado, passar verdade nas minhas músicas”, diz o rapaz, que, mesmo no ápice, alimenta muitos sonhos. “Agora, em junho, vou lançar a minha coleção de óculos com a Chilli Beans. E estou focado em continuar a internacionalização do meu trabalho”, diz. O goiano já está de malas prontas para uma longa turnê fora do país durante os meses de maio, junho, julho e agosto e deve visitar países como Estados Unidos, Canadá, Suécia, França, Alemanha, Croácia, e, claro, a Holanda, afinal de contas, foi lá que tudo começou.

  • COMPARTILHE
VOLTAR AO TOPO