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Bourbon Festival Paraty

Três dias de muita música boa!

POR Vivian Monicci 5 MIN

25 maio

5 Min

Bourbon Festival Paraty

POR Vivian Monicci

	

Ainda não tem programa para esse fim de semana e quer fazer algo diferente? A TOP tem uma dica boa! Entre os dias 25, 26 e 27 de maio, rola, em Paraty, a décima edição do Bourbon Festival Paraty – “festival Internacional de jazz / blues / r&b / soul, consolidado como um dos mais importantes festivais de música do Brasil”. Para celebrar os 10 anos de sucesso, o evento reunirá novamente artistas nacionais e internacionais que fizeram apresentações marcantes nos anos anteriores. No line-up, nomes como Ed Motta, DJ Crizz, Gary Brown, Stanley Jordan Trio, Blackalbino, entre outros.

A novidade para este ano fica por conta dos dois palcos principais montados na cidade, um na Praça da Matriz e outro na Igreja Santa Rita, além dos chamados “buskers”, espaços menores reservados para artistas de rua pouco conhecidos ou em início de carreira. Para completar o clima alegre e musical, haverá também a participação da Orleans Street Jazz Band, que tocará, no estilo tradicional de New Orleans, clássicos do jazz internacional.

Quem irá se apresentar nos “buskers” é Carolina Zingler & Nuvens (Barbara Mucciollo na percussão e Tomás Oliveira no baixo acústico). Em conversa com a cantora, compositora e criadora do movimento “Esquina do Jazz”, ela nos conta mais sobre suas atividades no mundo da música, o lançamento do novo disco, Mantras da Mata, além de sua participação no festival.

TOP: Como e quando surgiu a ideia do movimento “Esquina do Jazz”?

CZ: Surgiu em julho de 2015, no dia 9, mais precisamente! Era feriado em São Paulo, uma tarde típica de inverno, quando resolvi apresentar meu disco novo na Av. Paulista. Não tinha a pretensão de criar esse movimento de música de rua, mas Esquina do Jazz foi nomeada assim, por conta dos frequentadores. Eu simplesmente queria muito cantar e fui. Não estava encontrando espaço para lançar, na época, “Birds Flying High”, composto por releituras de jazz. Estava realmente desanimada. Só que isso não combinava comigo. Foi aí que decidi: peguei meu “kit rua” (tapete, abajures, incensos, inversor, bateria de carro, equipamentos e meus cds) e fui cantar. A partir daí, tudo mudou! Eu vi essa possibilidade real de fazer o meu trabalho. Já dizia o Milton Nascimento que o artista tem que ir onde o povo está!

E aquela esquina que escolhi era de fato, especial: Peixoto Gomide com Av. Paulista é mágica! Fui muito bem recebida pelos outros artistas locais e nunca vou esquecer as boas vindas do Mago dos Prismas (meu querido amigo Marcelo) e do público “en passant”. Incorporei a proposta e muitas portas e convites se abriram. Acabamos lançando nosso disco no Festival de Jazz do Sesc, recebendo convites inesquecíveis. Para mim, esse novo universo me fez transcender a forma como via meu papel como cantora e compositora no mundo. Eu me apaixonei por esse contato direto com o público, por cantar para todos os tipos de pessoas, que conheciam jazz, que nunca tinham ouvido falar em Billie Holiday, por aqueles que passavam agradecendo por encontrar música no caminho de casa e por essa música transformar seu momento.

TOP: O que podemos esperar do seu novo disco e da sua apresentação no Festival?

CZ: Ele é 100% autoral e eu o compus em um retiro muito especial – realmente acredito que as canções foram presentes muito inspirados. Minha parceria com a Barbara Mucciollo trouxe os ritmos mais variados para as canções e os conduziram para um lugar que eu nem imaginava existir, algo entre o oriente e a Bahia.Tem muita influência do jazz, folk e tem essa perspectiva mântrica que permeia sutilmente em todas as canções. O lançamento será no Bona Pinheiros, dia 27 de junho. Prometemos um show conceitual e especial.

Para o festival de Paraty, preparamos o velho e bom Jazz, trazendo músicas do “Birds Flying High”. Billie Holiday, Nina Simone, Lhasa de Sela e Hindi Zahra serão nossas divas homenageadas. Já vamos adiantar, também, algumas canções inéditas do novo disco. Estarei acompanhada da percussionista Bárbara Mucciollo e do baixista Tomas Oliveira e teremos a participação especial do trompetista Reynaldo Izeppi e do guitarrista Cisco Vasques.

TOP: Como você se sente fazendo parte de um festival tão importante?

CZ: Eu fiquei inebriada com o convite! Muito feliz de participar de um movimento tão importante para cultura musical do nosso país, ainda mais sendo uma data comemorativa dos 10 anos do festival.

TOP: Qual é a sua visão em relação ao jazz no Brasil e no mundo atualmente?

CZ: Eu acho que o jazz ainda é pouco conhecido no Brasil, mas estou fazendo a minha parte: popularizar cada vez mais esse estilo poético pelo qual sou apaixonada e que me inspira muito. Cada vez que eu canto nas Esquinas do Jazz desse país, sinto que quando a música toca o coração das pessoas, os rótulos ou segmentos não importam, o encantamento se faz presente, e ninguém fica pensando se esta escutando blues, jazz, bossa nova ou afoxé.  Crianças, adultos e jovens param e dançam. Às vezes sinto que existe uma carência cultural em geral, mesmo em São Paulo, que é uma cidade muito rica nesse aspecto.

Pelo mundo afora acontecem muitos festivais de jazz e espero que cada vez mais, nós, brasileiros, consigamos ampliar nossas manifestações culturais também aqui pelo Brasil. Cultura é essencial, assim como educação, e sinto que as transformações estão por vir e serão para melhor.

Bourbon Festival Paraty
Data: 25, 26 e 27 de maio
Local: Paraty, Rio de Janeiro
paraty.com.br

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