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27 nov

Barba, Cabelo & Bigode

Inspirado pelas barbearias antigas dos filmes de máfia, Bruno Van Enck conseguiu dar uma cara nova a esses rituais masculinos. E literalmente unindo o útil ao agradável – com direito até a cervejinha – transformou sua Barbearia Corleone em um sucesso

POR Simone Blanes 2 MIN

27 nov

2 Min

Barba, Cabelo & Bigode

POR Simone Blanes

	

Bruno Van Enck se auto intitula um vendedor, mas em cinco minutos de conversa percebe-se que seu talento vai muito além: é um empreendedor nato, daquele que traz no sangue o desejo pelo desafio. Herdeiro da tradicional Cervejaria Munique – do Shopping Center Norte, em São Paulo – ele poderia ter facilmente se acomodado no ramo de restaurantes, área que sua família domina há quatro gerações e onde trabalhou ao lado do pai Arno Van Enck, “sua maior referência de vida” como faz questão de dizer. Só que não… Bruno quis alçar voos solos, e aos 23 anos, abriu uma distribuidora de chope. “Teve êxito financeiro, mas não era suficiente. Queria ter uma realização profissional, que me desse prazer em levantar e ir trabalhar”. O clique não demorou a chegar. Foi em uma tarde de sábado, andando em um shopping no Rio de Janeiro, que o empresário formado em economia teve aquele estalo. “Vi uma cadeira de barbear em uma vitrine de uma loja. Entrei, pedi para fazer a barba e me levaram a uma sala de espera com uma enorme torre de chope, que os homens bebiam enquanto aguardavam a vez”, lembra. Dali, era uma questão de tempo – exatamente sete meses – para Bruno revolucionar o mercado de corte de cabelos e barba com sua Barbearia Corleone, um lugar para homens, inspirado nas antigas barbearias nova-iorquinas típicas dos filmes de máfia dos anos 40, 50 e 60. “Construí o local, tive o foco em saber que ia fazer barba e cabelo, mas achava que o volume de vendas viria das bebidas. Me enganei”, sorri Bruno, que logo na primeira semana teve que colocar mais cadeiras tamanho o sucesso do novo empreendimento, que hoje possui quatro unidades – Itaim, Vila Olímpia, Jardins e Shopping Morumbi. “Queria algo que reunisse amigos e rolasse uma troca de culturas, de interesses, de informações. Uma confraria que os homens pudessem frequentar”, conta ele, que valeu-se de muita pesquisa – passou dez dias sozinho em Nova York, onde visitou todas as barbearias de Manhattan e Brooklyn – e até experiências pessoais não tão agradáveis que enfrentou ao sair para cortar o cabelo.

“Esses lugares se dizem unissex, mas na verdade, são 95% feminino. Me sentia acuado em ter que colocar um roupão de seda com um decote em V com uma menina ao meu lado usando um igual, ou ainda ter que ler a revista Claudia com o guia do sexo lacrado. Eu queria beber uma cerveja, não um cappuccino”, gargalha. No começo, também contou com uma boa ajuda das mídias sociais, para divulgar seu novo espaço. “Representaram 95% do fluxo dos clientes nos três primeiros meses na barbearia. Por isso digo que nas redes, é mais importante o meu trabalho do que a minha vida pessoal”, enfatiza o empresário, atualmente com 150 mil seguidores no instagram da barbearia – recheado de imagens masculinas que vão de ensaios com garotas até carrões superpotentes. “Sou apaixonado por Porsches”. Nem por isso, porém, ele deixa de lado o prazer em alimentar sua conta particular, em especial, com fotos de Paula Brofman, sua namorada há seis anos. “Gosto de fotografá-la nua”, diz.
Voltando à barbearia, qual o segredo de tanto sucesso? Bruno responde com uma só palavra: “Verdade”. Segundo o empresário, só assim, e por meio de muito trabalho se pode construir algo que realmente valha a pena. “É hipocrisia dizer que não trabalho pelo dinheiro, mas a minha certeza é entregar por aquilo que estou cobrando. Se você for à barbearia atrás de um corte de cabelo, eu vou te dar o melhor que estiver à disposição. E farei com que aquela sua experiência seja muito boa”. Ele e sua equipe, a qual Bruno faz absoluta questão de ressaltar como seu “maior bem”. “Não sou barbeiro, então não tenho uma rixa com quem trabalha comigo. Converso muito com eles, que são minha ferramenta mais valiosa”. Carismático, ele também sabe a força que tem com clientes e fornecedores a quem procura atender pessoalmente enquanto dá expediente em suas quatro barbearias. “Recebo amigos lá. E gosto tanto de estar na barbearia que tenho prazer em não viajar no fim de semana para ficar e trabalhar. É um ambiente que toca a música que gosto, que tem a cerveja com a temperatura perfeita, que quem me serve já sabe exatamente o que me agrada. O que mais posso querer?”, sorri o empresário, que hoje, após conseguir alcançar a tão desejada realização profissional, se considera um homem feliz. “Tenho um pai fantástico, ótimos amigos, de longa data, funcionários que trabalham ao meu lado, uma boa casa para morar, viajo constantemente, uma namorada incrível…. Quando você não tem expectativas, todas as conquistas são maravilhosas”. Mas não falta nada, Bruno? Pensativo, ele diz: “Um filho. Já gostaria de ter tido, mas acho que é um ciclo natural da vida. Nunca passou pela minha cabeça não casar e não ter filhos”. Mas enquanto não vêm, Bruno trata de continuar tocando seu barco, da melhor maneira possível, com um sorriso no rosto e entregando um serviço completo: barba, cabelo e bigode.

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