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Arnaldo por Arnaldo

O enfant terrible da música brasileira abre a casa - e o jogo - para ele mesmo

POR Melissa Lenz 4 MIN

02 ago

4 Min

Arnaldo por Arnaldo

POR Melissa Lenz

	

Sem pré-conceito, sem pudor e de coração aberto, Arnaldo Antunes nos recebeu em sua casa para falar… Dele mesmo!

Eu não consigo me definir. Sou uma pessoa que anda, respira e se relaciona com os outros. Não dá pra dizer “eu sou assim” porque estou mudando o tempo todo. O que mantenho é ser uma pessoa que tem pele, tato, cheiro, ar entrando no pulmão, cabelo crescendo, idade passando… Tenho 55 anos e três cachorros.

MALHAÇÃO
Se sou esportista? Ah, me movimento pra caramba fazendo show, saio bem suado! Acho que hoje meu esporte principal é em cima do palco. Claro que tem momentos em que sinto necessidade de alguma outra atividade. Faço caminhadas pelo bairro da Vila Madalena, onde moro. Ando mais a pé, sozinho mesmo. É muito bom. Caminhar é um momento de meditação, de reflexão. Aí tenho uma ideia de uma melodia, estou com o celular e já gravo no caminho.

COMO SURGE UMA CANÇÃO
Melodia é um negócio que pra mim aparece. De repente estou cantando interiormente e gravo. Já aconteceu na época em que não existia essa facilidade do celular. Para não esquecer eu tinha que ficar cantando até chegar em casa para poder gravar, ou tirar no violão. Mas muitas dessas coisas eu gravo e não uso. Elas se perdem ou ficam lá para um dia serem usadas. É aquele “baú da hora fértil”, como diz Carlinhos Brown, que são seus rascunhos, seus refugos, suas coisas que estão ali pra potencialmente virarem uma canção, um poema, ou algo mais. Tem um estágio em que é só uma matéria prima.

PASSADO NEGRO
Não acho que nós dos Titãs éramos muito malucos como essa imagem que pintam por aí. Tinha realmente uma coisa de explorar os limites, seja na linguagem, seja na vida. Eu sempre fui um cara amoroso, o que sempre norteou as minhas escolhas, as minhas condutas. Claro que existe uma agressividade natural no palco. Tínhamos uma postura invocada que eu acho positiva porque acaba sendo uma coisa de impulso, de energia vital que você compartilha com as pessoas em cima do palco. Todo mundo precisa de uma dose de agressividade, de violência, violentar os sentidos de certa forma, alterar a consciência das pessoas. Tudo isso faz parte, são ingredientes, mas não se dissocia do movimento amoroso que sempre impregnou a minha vida em todas as minhas relações. Acho muito coerente.

ENVELHECER
Compus essa música –”Envelhecer” – que fala da inquietude. Eu não quero que as coisas me façam conformar, quero continuar inquieto, continuar querendo explorar os limites, principalmente no meu trabalho artístico. Fazer coisas novas, não querer estar me repetindo ou me conformar no conforto de uma situação a que eu tenha chegado. Acho que a inquietação permanece. É uma coisa do temperamento, é muito espontâneo.

 

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