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Aquarela de Toquinho

O show “Contrapontos” é uma linda poesia que revela a essência do artista em sua melhor parceria: voz e violão

POR Penélope Coelho e Vivian Monicci 3 MIN

03 out

3 Min

Aquarela de Toquinho

POR Penélope Coelho e Vivian Monicci

	

Toquinho é genial. E seus mais de 50 anos de carreira estão aí para comprovar esse fato. Ontem, 13/09, em noite de grande estreia de seu show “Contrapontos”, no Teatro Opus, em São Paulo, ele mostrou mais uma vez que música boa e talento são sempre a melhor combinação que pode existir.

A apresentação – recheada de hits como “Aquarela”, “Tarde em Itapuã” e “O Caderno” – também cedeu espaço para que o público conhecesse novos nomes da música brasileira, como João Ventura, jovem pianista que mistura música erudita com canções populares, e Camilla Faustino, cantora igualmente jovem, mas que traz na voz a experiência e a confiança das grandes cantoras da MPB. Para fechar o quarteto, Proveta, saxofonista e clarinetista com mais de 30 anos de carreira, que trouxe um ritmo todo especial às canções. O público pedia, Toquinho atendia. E todos entoavam em uma só voz as letras que fazem parte da nossa cultura. E nunca é demais destacar que o artista se torna um gigante cada vez que fica à vontade apenas com as cordas do seu violão. Não precisa nem dizer uma só palavra para compor a melodia. É de arrepiar quando ele se entrega de corpo e alma àquilo que move sua vida: a música.
Assim como uma linda aquarela, o show, sem dúvida, coloriu o dia, e por que não a vida, de todos os que puderam presenciar esse hino à música brasileira. E, mais do que testemunhar Toquinho em ação, TOP também teve a honra de entrevistá-lo. Confira!

TOP: Qual música nunca pode faltar no seu repertório da turnê?

Toquinho: Há canções que fazem parte do cotidiano das pessoas e estão sempre nos meus shows. O público exige e eu tenho prazer em atender. São elas: “Tarde em Itapuã”, “Aquarela”, “O caderno”, “Samba de Orly”, “Regra três”, “Que maravilha”.

TOP: O que o show “Contrapontos” traz de novidade para os fãs do Toquinho? Como surgiu o convite para as parcerias com as participações especiais que farão parte do show?

Toquinho: João Ventura é um talento da nova geração. Pianista, compositor e cantor, sua maior conquista é desenvolver uma sonoridade autêntica baseada na combinação entre a música popular e a erudita. Ganhou notoriedade rapidamente, num misto de canções autorais e releituras de clássicos consagrados da MPB. Quando o conheci, em Portugal, logo percebi que poderíamos juntar violão e piano num contraponto em que a sofisticação do erudito valoriza a simplicidade do popular e vice-versa, numa coordenação de arranjos e vozes que se completam harmonicamente, dotando as composições de um caráter novo e intrigante. Essa performance transformadora é destaque no show “Contrapontos”, no qual mostramos essa roupagem especial em vários clássicos da MPB, contando também com a participação de Camilla Faustino, talento vocal surgido recentemente, que passou a fazer parte de minhas apresentações no Brasil e exterior. Ela encanta o público pelo seu carisma, afinação e bom gosto. Proveta, com mais de 30 anos de carreira é figura de destaque no cenário da música instrumental brasileira. Saxofonista e clarinetista dos mais respeitados do mundo, ele tem valorizado meus shows em repetidas oportunidades e certamente enriquece esta polifonia no Teatro Opus. Nesse concerto, há um diálogo com cada companheiro de cena, onde meu violão percorre uma rica partitura nesta dialética musical com o piano do João, com o sax do Proveta e com a voz da Camilla na arte de sobrepor uma melodia à outra, com sonoridade contrastante que se complementa com leveza e harmonia num repertório inovador e emocionante.

TOP: O que você acha mais legal sobre fazer turnê e estar nos palcos?

Toquinho: Perdura a sensação de um contínuo aprimoramento. Cada ano fortalece o seguinte e as décadas se diluem na descoberta de técnicas novas, conquistas e sucessos. O tempo não apaga o que nos arde na alma. Essa longa trajetória só pode ser alcançada com muita dedicação. Eu me considero um artesão, sempre apoiado no violão que representa o início e o desenvolvimento de tudo. E a música será sempre uma chama a aquecer minha dedicação ao instrumento. Além disso, sou privilegiado por ter trabalhado com parceiros que sempre valorizaram minhas composições. Estudo todos os dias à procura de novos acordes e harmonias. Amo fazer o que faço, o palco é a extensão de minha casa. Nele sou simples e íntimo da plateia. A cada show, comemoro minha formação musical, que me possibilitou esse desenvolvimento. Em meio a essa trajetória surgiram as parcerias que valorizam minhas composições. A vida se incumbiu de sinalizar valores e caminhos que eu soube aproveitar usando meu talento de instrumentista. Portanto, há uma comemoração a cada acorde novo, a cada subida nos palcos, a cada disco gravado, a cada aplauso do público.

TOP: Como foi a experiência da turnê com Ivan Lins? E ir tocar em outros países?

Toquinho: Há mais ou menos quatro anos que estamos apostando nesses encontros para realizar shows para públicos maiores. Não se deve exatamente a uma comemoração específica, e sim a uma coincidência de interesses artísticos. Apesar de que 50 anos de carreira é uma marca que contribui para isso. Minhas apresentações com o Ivan Lins, MPB4, João Bosco, Demônios da Garoa e tantos outros, caracterizam-se pela sincronia musical que nos completa. E resulta num show cuja dinâmica melódica se perpetua pelo bom humor alicerçado na amizade. Atuando juntos ou separados, o show flui de forma prazerosa para todos. Certamente é um encontro que perdura em espetáculos aqui no Brasil e no Exterior. Para 2019, temos eu e Ivan um compromisso para atuação conjunta em festivais internacionais. Temos muita coisa em comum que a plateia percebe e aplaude.

 

Foto: Divulgação

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