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27 nov

Anitta

Essa Mina é Louca e não fica Paradinha. Seu Ritmo Perfeito já atravessou as fronteiras brasileiras e Sua Cara já está estampada na imprensa internacional. Ela Não Para! Anitta, essa Mulher, veio pra nos dar CheckMate e causar um estouro... Bang!

POR Marília Aguena 2 MIN

27 nov

2 Min

Anitta

POR Marília Aguena

	

Na internet, ela é chamada de “Rainha do Lacre” (uma versão 2017 do antigo “namoradinha do Brasil”), já que qualquer coisa que faça vira assunto. Cantora, compositora, produtora, coreógrafa e empresária, tem todos os seus passos cuidadosamente pensados. Estrategista como poucas, movimenta milhões de cifras, seguidores, views e execuções em rádio e streaming. Tudo o que Anitta toca vira ouro! E muitas marcas já estão surfando na onda dessa carioca de apenas 24 anos – é embaixadora da Renault e seu rosto é um dos que mais aparecem em propagandas de TV. De origem humilde, Larissa de Macedo Machado começou a cantar aos 8 anos, no coral de uma igreja, no subúrbio do Rio de Janeiro. Foi lançada como MC Anitta, mas de lá pra cá ficou mais pop, sem deixar de lado o funk, ritmo que defende com unhas e dentes. Agora, “Anira”, como é carinhosamente chamada pelo público após iniciar a carreira internacional, está focada em feats com artistas estrangeiros e sonha em cantar com o rapper canadense Drake. Até lá, causa muito barulho por aqui com o inovador projeto CheckMate, no qual um clipe é lançado por mês em seu canal no YouTube, como Will I See You e Is That For Me (que estreou nas rádios americanas no fim de outubro, mas antes já estava entre as 50 mais tocadas no Spotify dos EUA). Em um raro momento de folga, ela bate um papo com a TOP…


O que você diz para quem falou lá em 2013, quando lançou Show das Poderosas, que faria sucesso só com a música de estreia?
Eu não digo nada. Eu trabalho, porque isso diz mais que qualquer coisa.
Como está sendo o projeto CheckMate?
A intenção era fazer uma estratégia nova no Brasil. Com o primeiro single, queria conquistar outro público que nunca desbravei antes, então não tinha parâmetro de números, porque é um trabalho bem diferente, não é popular e comercial da maneira que costumam me ver. Está tocando em rádios adultas, mas os jovens não estão acostumados. Minha mãe me manda mensagem o tempo inteiro, diz que está viciada na música, não para de ver o clipe. Os outros singles vão vir numa crescente de ritmos, estilos, línguas…

Quando teve certeza de que era o momento de investir na sua carreira internacional?
Quando me deu vontade. Já tinha conquistado muita coisa aqui no Brasil e queria quebrar barreiras e rótulos. Estudei bastante tempo para fazer da melhor maneira possível.


Como foi descobrir e lançar uma cantora de sucesso como a Pabllo Vittar?
Eu adoro pesquisar novas pessoas, coisas que estão aparecendo ou que têm um nicho. Gosto de trazer para perto, e convidei a Pabllo para cantar comigo no Carnaval. Falei “cara, você vai bombar muito!”. E o Diplo, que é parte do grupo Major Lazer, é um amigo de longa data. Fizemos Sua Cara no final do ano passado, e na finalização, ele sugeriu um projeto de parcerias. Soube da Pabllo e perguntou o que eu achava de colocar um backing vocal (uma participação curta). Eu falei “Nãããooo! Coloca mais”. Ele perguntou se eu não me importava e eu disse “coloca todas as participações dela”. Porque sabia que ia ficar incrível. As pessoas têm esse medo da competição, acham que vão roubar seu lugar. Eu sou o contrário, acho que quanto mais união, melhor para todo mundo. O público vê vários artistas fazerem sucesso ao mesmo tempo, se apoiando, sem briga, e trazem isso para a vida deles. Acaba sendo uma vitrine de que é possível dar certo, ser feliz na sua profissão, na sua vida, sem competir com o outro. Amo passar esse tipo de mensagem. Eu falei “cara, vamos fazer um clipe, porque o Brasil vai amar!”. Ficou lindíssimo, é o mais acessado de todos da minha carreira.

Você é conhecida por abraçar a causa dos homossexuais. Como é ser, de certa forma, a voz dessas pessoas? Até porque você acaba sendo alvo de preconceito também…
Eu super apoio os gays e qualquer classe que sofra preconceito. Sou de uma categoria que sofre discriminação, da favelada, emergente, mulher e da pessoa que é sensual. Sobre essa última medida (o Juiz Federal Waldemar Carvalho concedeu liminar que autoriza a “cura gay”), eu sei que não é obrigatório as pessoas procurarem uma cura, mas, a partir do momento em que se assume que possa existir, um pai mal informado e preconceituoso pode dificultar a vida de um jovem que quer se aceitar. Não é só assim “procura a cura quem quer”. Só o fato de concordar que é uma doença já causa um problema na vida dos que têm dificuldade em se assumir ou de levar isso para a família. Um pai que não entende, acha que tem cura e obriga o filho. São várias consequências que isso traz.
Falando nisso, como foi o episódio com você nos Estados Unidos em uma balada, em que um grupo de mulheres riu da sua roupa? (Anitta relatou o ocorrido em um post em seu perfil no Instagram).
(Risos.) Eu postei isso sem querer. Esse foi um caso de discriminação em uma balada que fui… As mulheres são as primeiras a terem preconceito com elas mesmas, como se tivesse uma forma certa de ser mulher. Sou contra isso. Estavam rolando esses olhares de preconceito porque nós fomos vestidas como no Brasil, estava muito calor. E eu me visto do jeito que estou a fim. Só que, quando começou a tocar minha música no telão, elas olharam para lá e para mim várias vezes e já mudaram. Eu ainda as presenteei (com uma garrafa de champanhe), foi bem engraçado. Ficaram perguntando quem eu era e pedindo foto (risos). Não costumo externar esse tipo de coisa não, foi um acidente.


Você se sentiu preterida ao não ser convidada para o Rock in Rio deste ano? Vai estar na próxima edição do festival que acontece em Lisboa?
Rolou um convite para o Rock in Rio de Lisboa e também para as próximas edições daqui. A ideia era que fosse uma apresentação diferenciada este ano, e eu não quis. Por mais que eu não faça tanto funk como antes, continuo mantendo o ritmo no meu show. Às vezes, eu coloco uma nova roupagem nas músicas, mais funk. Outras, menos. Eu tenho o Vai Malandra para lançar em dezembro, que é um super funk. E sempre apoio amigos, divulgo as músicas, danço e levanto a bandeira nas minhas redes porque eu vim do funk. Foi o ritmo que me alavancou, que deixou o caminho mais fácil para uma pessoa com zero estrutura, zero oportunidade, zero dinheiro. O funk que me fez chegar aonde cheguei, então não acho justo tirar e negar que isso faz parte da minha vida. Eu não me sinto bem. Sinto como se estivesse me vendendo, e não tem a ver com a minha personalidade.
Qual é a parceria dos seus sonhos?
Com o Drake.
A quantas anda o feat com a Fergie e com o Justin Bieber?
A Fergie tinha me convidado para o Rock in Rio há um tempo e eu preferi não estar, mas falei para ela que Pabllo ia arrasar tanto quanto. As pessoas acham que quando falo esse tipo de coisa estou fazendo marketing pessoal, mas não é isso. Não tem como eu fazer um show em Manaus e no Rio Grande do Sul, não consigo estar em dois lugares ao mesmo tempo, e se não tiver alguém incrível cantando e fazendo um trabalho pop parecido, o meu ritmo vai ser esquecido. Então, quanto mais pessoas boas estiverem fazendo um trabalho de qualidade com a minha bandeira, é incrível para mim. O ritmo fica forte, e isso ajuda todo mundo. Falaram que eu fiquei com raiva. As pessoas chamam quem elas curtem, ninguém é obrigado a gostar de mim ou do meu trabalho. Não me dói. O fato de eu querer fazer um festival meu não é para acabar com a raça de ninguém. É justamente para ter uma coisa que eu acho minha cara. Só. Eu fiquei feliz de ver que a galera me quer e sente a minha falta.
A que você atribui ser o maior nome da música pop brasileira em atividade?
Acho que a minha persistência, porque o caminho é muito difícil. Antes achava que não tinha nada a ver com o fato de ser mulher, inclusive, já dei entrevista falando sobre isso. O fato de ser mulher dificulta muito. Quebrar barreiras é uma coisa muito complicada, ser autêntica, assumir o que você pensa, falar o que realmente faz. Isso te deixa vulnerável e aberto para receber críticas, acaba te tornando uma pessoa comentada para o bem e para o mal.


Você sempre fala o que pensa. Como faz pra lidar com os haters da internet?
Tem que ter inteligência emocional. Isso não me deixa irritada, e sim com uma sensação de injustiça. Tento responder só o que é relevante. Quando vejo que a coisa está tomando relevância com algo que não faz sentido para mim, eu entro. Mas quando é só uma pessoa falando besteira, criando um fake, não perco o meu tempo. Acho que as pessoas que têm esse preconceito não pararam para pensar ou não têm acesso a diferentes realidades. Entendi que briga e discussão não levam a nada.
Onde você imagina estar daqui a cinco anos?
Me imagino já me preparando para parar. Se Deus quiser, fazendo a minha carreira acontecer no mundo inteiro, passando as minhas mensagens, mas, como cantora, não sei se tenho vontade de ficar até muito mais velha. Eu amo ser empresária, presto consultoria para outros artistas. Estou me jogando nesse business. E posso mudar, mas a minha ideia é parar de ser cantora para ser mãe.
Tem vontade de ser atriz?
Tenho. Já recebi convite. Mas quero fazer algo que seja relevante e não só para dar bilheteria, vender e ganhar dinheiro. Quero fazer algo que vá me orgulhar do trabalho.
A Anitta é uma empresa que cria, faz parcerias e gera milhões. Apesar da sua equipe, sabemos que muita coisa é ideia sua. Onde aprendeu tudo isso?
(risos) Eu fiz administração por três anos. Isso me ajuda, e sigo estudando. Sou uma pessoa que ninguém precisa falar mais de uma vez, na primeira eu já entendi. Então as experiências me ensinam bastante. E os erros também.


Você sempre foi muito sincera com os procedimentos estéticos que fez. Tem ainda alguma coisa que pretende fazer?
Eu não planejo essas coisas, não. Sou um pouco de lua. Se me dá vontade eu faço. É algo muito natural, tipo pintar o cabelo. Mas tem um que eu considero indispensável: aquelas maquininhas do bumbum, porque celulite é o meu fraco. Se não faço, fica de chorar! (risos). Mas também tem hora que não tô nem aí. Deixo virar um maracujá e depois cuido de novo (risos).
Você representa uma nova geração de mulheres, que não sofrem caladas, mas que não perdem a feminilidade em rebater críticas ou injustiças. Qual dica você dá para que as meninas sejam assim?
Acho que tem que ter muita certeza de quem você é e não se importar com o que as pessoas pensam. Vai vivendo do jeito que você se sinta feliz. Só que com educação. Não precisa descer do salto para isso.
Complete a frase: ser mulher é…
Ser forte, meu amor! Porque ser mulher é babado! Não é mole, não (risos).
Você sente que assusta os homens?
Depende. Acho que a maioria sim. Parece que sou intocável, não pode ou têm medo de falar comigo. Mas aí já não me interessa tanto… Depois, quando me conhecem de verdade, se comportam normal. Acho que no início eles tentam fingir que não estão nem aí (risos).

 

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