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16 mar

Andar com Fé…

Força e muito foco. Assim caminha a vida de Mario Romancini, que de ex-piloto da Fórmula Indy se transformou em um bem-sucedido empresário no ramo de golfe. Como? 

POR Simone Blanes 4 MIN

16 mar

4 Min

Andar com Fé…

POR Simone Blanes

	

Se existe alguém a quem se pode tranquilamente atribuir a famosa trinca dos três “F” – foco, força e fé –, essa pessoa é Mario Romancini. Empresário paulistano, ficou internacionalmente conhecido como piloto da Fórmula Indy, mas foi no golfe que encontrou seu verdadeiro objetivo de vida. Não como jogador, mas como empresário. Ele é o dono do The Clubhouse, primeiro Indoor Golf Center do Brasil, um centro de treinamento para jogadores, iniciantes e profissionais, que desenvolvem e aprimoram suas habilidades por meio de simuladores eletrônicos. “Era um hobby, mas comecei a ver como um negócio em 2016, quando fui à PGA Show, em Orlando, nos EUA. Lá é a Disney do golfe, e quando vi os aparelhos fiquei encantado”, conta ele, que logo de cara já trouxe os melhores do mercado mundial, da marca Full Swing. “É o mesmo simulador que o Tiger Woods tem na casa dele e treina quando não está no campo. Uma máquina que dá uma série de feedbacks para o jogador – o que faz errado, onde pode melhorar e tudo mais. Por causa dessa tecnologia, criamos uma academia de golfe e acabamos democratizando o esporte”, diz Mario, que hoje conta com mais de 60 alunos cadastrados e, em menos de um ano e meio de existência, já tem como sócio investidor João Appolinário, presidente da Polishop. “É uma realização pegar um negócio do zero, que não existia no país, e construir algo diferenciado. Fiz tudo sozinho, e agora receber um empresário como João é gratificante”, comemora. Mas de onde saiu toda essa coragem para empreender em uma coisa que poderia não dar certo, já que o golfe não é um esporte tão popular no Brasil? Mario garante: “Minha determinação veio do automobilismo. Nem que eu fizesse dez faculdades teria ganhado tanta experiência como tive com esse esporte de competição e morando no exterior”.

Para entender melhor, voltemos um pouco no tempo. Aos 5 anos de idade, Romancini começou no kart. Seguiu como piloto nos próximos 15 anos de sua vida, participando de campeonatos, da Fórmula Renault e da Fórmula 3 Sulamericana. Galgou todos os degraus para chegar à Fórmula 1, mas quis o destino que ele fosse para a Fórmula Indy, nos Estados Unidos. “Era o meu grande sonho de criança”, lembra. Desejo esse, porém, do qual teve que abdicar por questões financeiras. “Tem algumas profissões que é difícil fazer virar seu ganha-pão. Foi um choque ter que parar no auge da minha carreira, mas era a decisão certa.” Mario voltou a São Paulo no final de 2010, e aos 21 encarou a realidade: precisava recomeçar sua vida e seguir outro rumo profissional. Decidiu então cursar publicidade na FAAP. “Foi um tapa na cara deixar as 500 milhas de Indianápolis e iniciar a faculdade com colegas de sala que tinham 17 e estavam tirando carta de motorista. São as porradas da vida, mas que te ensinam muito.”

Desde então, ele nunca mais entrou em um carro de corrida. “Até tive convite para a Stock Car, mas foi um capítulo que encerrei. No fundo, tenho medo de sentar em um carro e tudo aquilo vir à tona”, admite. Corridas, só pela televisão. “Talvez daqui a uns 15 anos, por hobby, pode até ser. Mas agora não dá, porque tenho certeza de que posso querer voltar a ser piloto profissional. Não me arrependo, mas eu jamais largaria a minha carreira empresarial que está dando certo para voltar a apostar num sonho de corrida”, confessa. Para sua sorte, porém, Mario também adora golfe, e com muito foco e força, adquiridos no automobilismo, no período em que trabalhou nas empresas do pai e à frente da extinta Bold Sports, agência de marketing esportivo em que empresariou pilotos e a golfista Miriam Nagl na Olimpíada do Rio 2016, toca com maestria seu centro de treinamento, que, na contramão da crise econômica, vai de vento em popa. “Me disseram que não daria certo, mas eu vi uma oportunidade pela dificuldade que eu mesmo tinha de jogar golfe no país. Não vou competir com os campos, e sim ser um complemento deles.” Aí está o segredo do negócio: próximo aos centros comerciais, as pessoas podem facilmente sair do trabalho e treinar. Melhor, aproveitar não só a aula, mas uma experiência completa, já que o The Clubhouse possui um bar com boa gastronomia, além de oferecer uísques, gins e uma carta de vinhos com mais de 30 rótulos. Características que acabaram chamando a atenção de empresas para eventos corporativos. “Microsoft, Dell, Lexus, Omega e outras grandes companhias enxergaram potencial para fazer ações de relacionamento e proporcionar uma experiência única a seus clientes. Quando fecham nosso espaço, coloco os professores de golfe nos simuladores, além de cuidar de toda a parte de gastronomia e logística. A empresa só paga a conta”, explica. Por fim, Mario também dá crédito à sua realização profissional e pessoal – ele é casado há três meses com a estudante de arquitetura Ana Carolina – para sua fé. “Me preocupo muito com as boas energias. A palavra da minha vida é gratidão, porque sei que quanto mais a gente agradece, mais recebe. Todos os dias, em orações, agradeço pela minha família, casa, trabalho e saúde”, diz ele, que segue o espiritismo. Outra coisa que permeia a rotina de Romancini são as metas, o que define como “algo muito natural em sua vida”. A próxima? “Morar em Miami. Em especial pelas questões de segurança e qualidade de vida muito melhores, quero criar meus filhos lá.” Enquanto isso não acontece, porém, Mario pensa em expandir seu negócio de golfe pelo Brasil. E Miami, não? “Acho que lá não funciona. Na real, ainda não sei como vou fazer isso, só sei que sempre vou trabalhar com esporte.” Para quem teve coragem de recomeçar, e em menos de dez anos chegou onde está, alguém duvida? Se depender desses três “Fs”, que ele tem de sobra, pode apostar, Mario ainda vai longe…

 

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