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22 nov

Além do cartão-postal

Fotógrafa, viajante e artista plástica das mais talentosas, Dani Tranchesi tem muita coisa para contar. E para mostrar! Vem saber...

POR Simone Blanes 2 MIN

22 nov

2 Min

Além do cartão-postal

POR Simone Blanes

	

Sobreposições, intervenções e, por que não dizer, até invenções. Palavras e ações que pulsam constantemente no universo criativo de Dani Tranchesi, fotógrafa conhecida por retratar viagens, mas com um trabalho tão específico que vai muito além do cartão-postal: em uma infinita vontade de experimentar, transforma suas fotos em verdadeiras obras de arte. Mesmo reconhecendo essa habilidade, porém, ela é reticente em se autointitular uma artista plástica. “É difícil me colocar assim. Não sei dizer”, sorri. Mas é só entrar em seu ateliê no bairro do Itaim, em São Paulo, para perceber que Dani é, sim, uma artista. E das boas. O que mais chama atenção em suas obras é justamente esse olhar para a transformação. Em sua nova série Espelhos, por exemplo, ela realiza um minucioso exercício de sobreposição que deixa clara a ligação entre o fotógrafo e a pessoa retratada, mas que, ao mesmo tempo, proporciona uma experiência ao espectador, que literalmente “entra” na imagem através do acrílico, material sempre presente em suas obras.

“É uma brincadeira que sempre tem no meu trabalho. É como se eu tivesse uma câmera que conseguisse captar a todos. Além do fotografado, eu também estou a todo momento em algum lugar. E o acrílico faz a vez do espelho para que as pessoas que estejam vendo de fora possam se ver também”, explica Dani, que ainda é fã da desconstrução. “É algo que vai crescendo. Tenho outra série mais antiga em que fui desfazendo a foto original, separando o fundo, a roupa e o rosto do fotografado e, por último, encaixo os meus olhos. Gosto muito dessas intervenções”, conta a fotógrafa, que ainda possui outra série chamada Mundos Hipotéticos, em que mais uma vez trabalha com sobreposição de fotos, dessa vez aéreas, feitas a bordo de um helicóptero. “É uma mistura do que poderia ser ou o que aconteceria se a favela entrasse no mar, ou uma cidade se misturasse com a praia.” E onde o espectador entra nisso? “Em todas tem essa caixinha de acrílico que traz a ideia da interação. É uma janela para entrar mesmo.”
Paixão pelo mundo
Tudo começou quando Dani completou 15 anos de idade. Em vez da festa de debutante, sonho de qualquer garota de sua idade, ela preferiu ganhar de presente uma máquina fotográfica e uma viagem a Curitiba. “Desde então, para qualquer lugar que eu ia, levava a câmera comigo.” Nessa época também descobriu o gosto pelas viagens, não essas mais óbvias de turismo, mas aquelas em que poderia desbravar alguma experiência diferente. Foi assim, por exemplo, quando, escondido da mãe, pagou sua ida à Índia para um curso de seu professor de ioga. “Ela quase morreu. Até me levar ao aeroporto e ver que havia um grupo, com gente mais velha e mães que deixavam os filhos irem. Eu tinha 22 anos, mas naquela época não tinha nem Coca-Cola na Índia. Ninguém ia para lá”, lembra Dani. De lá, não parou mais, e acabou se profissionalizando nessa arte de fotografar pelo mundo. “Gosto de retratar gente. De ir ao vilarejo, de entrar na casa das pessoas quando me convidam. Quando percebo, lá estou eu tomando chá com elas”, diz ela, que é formada em fotografia pela Escola Panamericana.

“Gosto de, por exemplo, ir a Nova York fazer compras. Não tem nada de errado com isso, mas a minha paciência acaba logo. Adoro mesmo é a diversidade.” Sua experiência mais recente foi em Ruanda, na África, lugar que realmente a impressionou. “É um lugar muito pobre, mas a cidade mais limpa que eu já vi. E com pessoas gentis, que se ajudam muito. Dá vontade de contar para os nossos políticos sobre essa ideia que eles têm de comunidade”, conta a fotógrafa, dona das imagens que decoram os corredores do recém-inaugurado Hotel Tangará, em São Paulo. “Quando me convidaram, pediram imagens do Brasil. Então tem coisas de Salvador, Minas Gerais, Foz do Iguaçu, Rio de Janeiro e do Xingu. Foi muito legal fazer, e dá uma superemoção quando você vê aquele indiozão no final do corredor e sabe que a imagem é sua”, orgulha-se. Casada com o médico cardiologista Bernardino Tranchesi, Dani é mãe de Pedro e madrasta de Dinho, Luciana e Marcella. O que mais falta para ela? “Conhecer alguns lugares como o Canadá e o Alasca para ver os ursos”, sorri. Também, quem sabe, uma bela exposição. “Uma hora as coisas rolam. Não vou ficar ansiosa.” Nem precisa. Afinal, com o talento que tem, e essa maneira toda especial de “olhar para o mundo”, é só uma questão de tempo.

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