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A vida invisível

A vida invisível agrada, emociona e vale como representante brasileiro ao Oscar

POR Walter de Sousa 3 MIN

21 out

3 Min

A vida invisível

POR Walter de Sousa

	

“Um filme que a Academia adora”, dirão aqueles que comprarão o ingresso por ser o indicado a uma vaga na categoria Filme Estrangeiro do Oscar. “Bacurau era o melhor”, acusarão os desafetos que viram o filme de sua preferência ser batido por A vida invisível. “Ah, mas a Fernando Montenegro só aparece no final!”, reclamarão os que verão o filme pela dama que acaba de completar 90 anos. Nenhuma dessas opiniões dá conta da fita do diretor Karim Aïnouz, uma saga de 2h20 sobre duas irmãs separadas pela moral paterna. Embora seja definido pela produtora como melodrama, não se trata de uma história chorosa, do jeito que a Academia gosta. Não é um retrato atual, pois a história se passa na década de 1950, período em que os sonhos ainda pareciam prosperar, o que não acontece no filme Bacurau, de Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, que, apesar da boa carreira internacional, não chegará a Hollywood. E Fernando Montenegro, principal argumento para o filme ser indicado para representar o Brasil na corrida do Oscar, apesar de impecável, como sempre, chega na narrativa carregando a emoção plantada durante as duas horas anteriores pelas ótimas Carol Duarte (Eurídice) e Julia Stockler (Guida). Sim, e tem Gregório Duvivier, no papel do marido da pianista Eurídice, que numa cena pergunta seriamente à esposa: “Você acha que sou engraçado?”. Ela não responde, mas o público cai na risada.
O sonho de Eurídice é tocar piano em Viena, Áustria, e para isso se prepara para uma audição que franqueará seu sonho maior. A irmã Guida, por sua vez, se envolve com um marinheiro grego e, numa noite em que sai escondido para uma festa, decide embarcar rumo à Europa. É nesse momento que há o rompimento não consciente das duas irmãs, muito por força da falta de complacência dos pais portugueses. Há que se destacar ainda a atriz Bárbara Santos, no papel de Filó, amiga de Guida, com sua dureza amorosa.
O cenário é um Rio de Janeiro imaginado, que tenta reconstituir a década de ouro dos 1950, quando a capital federal abrigava Getúlio Vargas e a vida moderna da classe média ascendente; quando a classe baixa ainda não estava enclausurada nas favelas, mas dispersa nos subúrbios.
Linear e com cortes precisos, a narrativa se desenvolve como num filme americano – será por isso que suas chances crescem ao disputar o Oscar? – e emociona sem ser piegas. A história se baseia no romance “A vida invisível de Eurídice Gusmão”, de Martha Batalha e venceu a mostra Un Certain Regard, em Cannes. É, sem dúvida, uma aposta interessante para o Oscar.

A vida invisível
Direção: Karim Aïnouz
Baseado na obra de Martha Batalha
Elenco: Carol Duarte, Julia Stockler, Gregorio Duvivier, Bárbara Santos, Flávia Gusmão, Antônio Fonseca, Flavio Bauraqui, Maria Manoella e participação especial de Fernanda Montenegro.
Estreia em: 31/10

Fotos: Divulgação e Bruno Machado

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