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A última entrevista de Domingos Montagner à TOP Magazine: um galã multifacetado

POR Simone Blanes 4 MIN

16 set

4 Min

Lírios

POR Simone Blanes

	

A Rede Globo confirmou na tarde dessa quinta-feira a morte de Domingos Montagner, o Santo de “Velho Chico”. Após um mergulho no Rio São Francisco, em Sergipe, o ator foi levado pela correnteza e se afogou. Camila Pitanga, que fazia par romântico com o Domingos, foi quem avisou à polícia local e à produção da novela. Buscas foram realizadas no local por bombeiros, helicópteros da TV Globo e pescadores da região, até encontrarem o corpo do galã nas pedras.

TOP faz uma homenagem a Domingos, que nos concedeu recentemente a seguinte entrevista, publicada na edição 210 da revista.

As várias faces do galã

Protagonista de “Velho Chico”, Domingos Montagner se mantém fiel às suas raízes artísticas como palhaço de circo. “Não quero deixar este meu caminho mais autoral”

Domingos Montagner é o que se pode chamar de um artista completo. No hall de galãs da Globo – é protagonista da novela das 9, “Velho Chico”, ao lado de Camila Pitanga e Antônio Fagundes –, ele também é palhaço de circo, função que continua exercendo paralelamente à TV, em sua companhia teatral La Mínima, que já lhe rendeu, inclusive, um prêmio Shell de Melhor Ator pelo espetáculo “A Noite dos Palhaços Mudos”, em 2008. Sem contar que é sócio e diretor artístico do circo Zanni e pai de família, com três filhos. Como ele consegue? “Não durmo de dia”, brinca. “Me acostumei a fazer várias coisas ao mesmo tempo. Quando era professor de educação física, dava aula em quatro lugares diferentes. Ao entrar no teatro de grupo, o artista faz tudo: cria, produz, realiza, vende, apresenta”, conta. “Minha família foi formada nesse ritmo, então estão acostumados. São todos ‘ciganinhos’”, diverte-se o ator, que, embora tenha gravações diárias da trama de Benedito Ruy Barbosa no Rio de Janeiro, prefere manter sua residência em Embu das Artes, em São Paulo. “Sou muito paulistano. Minha companhia está lá, e não quero deixar este meu caminho criativo mais autoral. Moro lá para manter a minha essência.”

Falando em caminhos criativos, Domingos ainda encontra tempo para fazer cinema. Ainda em 2016, tem dois filmes para estrear: Através da Sombra, de Walter Lima Jr., e Vidas Partidas, de Marcos Schechtman, que aborda a questão da violência contra a mulher. “Isso não é um problema localizado. Há maior ocorrência onde a formação social é mais precária, mas não é exclusivo. O maior vilão é o preconceito, que promove justificativas trágicas.” Domingos, que fará um marido violento no longa, acredita que isso vem de família. “Um pensamento que nasce durante a educação emocional da criança. E o que é pior, algo que permanece ao lado das vítimas. Então o combate ao preconceito é imperativo para conseguirmos mudar esse quadro. Daí nascerá o respeito e o repúdio à violência”, opina.

Outro projeto do galã, já em andamento, diz respeito à La Mínima, que celebra 20 anos de existência. A comemoração virá, é claro, em forma de espetáculo, com uma adaptação da ópera italiana I Pagliacci, de Ruggero Leoncavallo (1892). “É um sonho antigo. Apesar de ter os palhaços e bufões, não é uma ópera cômica, e sim uma tragédia. Nosso desafio é transformá-la em uma peça de teatro popular e aumentar seu potencial cômico sem perder a belíssima carga dramática”, conta. “Será uma tragicomédia, algo bem ao gosto dos palhaços.” A montagem, adaptada por Luís Carlos Abreu, deve estrear em março de 2017. E o que mais, Domingos? “Ah, quero ter uma sede própria em um terreno para nosso circo ficar instalado, fazer um longa com o La Mínima, montar um teatro em São Paulo, e nos intervalos ver o jogo de futsal do meu filho e estudar piano com o outro filho. É isso aí, artista independente sempre tem projeto”. O público agradece…

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