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20 out

A arte de olhar para a arte

Houssein Jarouche apresenta galeria que leva seu nome: “Acredito na força da arte em qualquer espaço”

POR Simone Blanes MIN

20 out

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A arte de olhar para a arte

POR Simone Blanes

	

Mais do que um empresário do segmento de decoração, Houssein Jarouche é uma persona bastante conhecida no meio das artes. Não só por ser dono da Micasa, loja de móveis das mais bacanas de São Paulo, mas também por sua coleção de obras e pelo “olho clínico” que tem para reconhecer arte e design. Mesmo assim, um fato inusitado aconteceu: Jarouche queria transformar o último andar de seu estabelecimento em um espaço para exposições. Só que, ao tentar participar de uma feira de arte, a Micasa acabou sendo impedida por ser uma loja de design. Daí veio a ideia do empresário de abrir uma galeria. O que, aliás, resolveria dois problemas: a falta de espaço para suas novas aquisições e essa questão de poder estar efetivamente presente no mundo da arte, pelo qual Houssein é declaradamente apaixonado. “É importante dizer, porém, que a Micasa nunca deixará de ter arte, justamente porque acredito na força dela em qualquer espaço. Ainda mais em um lugar que difunde o design em escala global”, diz. “Na galeria busca-se um caráter mais histórico a respeito de pop art, as vanguardas da década de 60 e as pesquisas sobre os desdobramentos contemporâneos desse movimento”, explica o empresário sobre a recém-inaugurada Galeria Houssein Jarouche, que, localizada em um espaço de 300 m² no bairro dos Jardins, abrigará grande parte de sua coleção de pop art que conta com obras de artistas como Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Frank Stella, Robert Indiana, Ed Ruscha, Maurício Nogueira Lima e Claudio Tozzi.

“É uma vontade que venho desenvolvendo há anos e que precisava caminhar independente da Micasa. É bom ressaltar ainda que, com exceção de alguma mostra documental que possa vir a ocorrer na galeria, todo o acervo está disponível para venda”, completa Jarouche, de 43 anos, que, além do amor pela arte, possui também uma veia empreendedora herdada de sua família libanesa, o que o fez apostar ainda no Prédio Sé, um espaço para eventos que acabou de abrir as portas. “São projetos integrados porque surgem dos meus interesses estéticos, mas completamente independentes, uma vez que as propostas são diferentes. O Prédio Sé foi uma ação com foco no centro antigo de São Paulo, restauro de um edifício histórico da cidade e o conceito de uso comercial multifuncional, em que pessoas e empresas possam locar para produção de eventos, palestras, filmagens… Um espaço visualmente forte, mas que se adequa a diferentes necessidades”, conta Housein, que diz não pretender parar por aí. “Sempre tenho projetos novos porque gosto dessa dinâmica de criação. Não importa se estou criando um bloquinho de papel ou restaurando um prédio de seis andares, criar e produzir faz parte de mim”, diz, sem, no entanto, revelar seus próximos passos, que podem até ser no exterior. “Quem sabe? Não é algo descartado”, sorri. Falando em país, acha que o Brasil tem jeito? Houssein diz não saber ao certo, mas garante que a vontade de realizar algo fora nada tem a ver com a crise econômica. “Acredito que tudo começa dentro de casa, o que tem que ter jeito é a postura de cada um, respeito ao próximo, honestidade nas relações pessoais e profissionais. Isso me faz continuar a trabalhar, acreditar no país e apostar em novos negócios”, opina. Para ele, o importante mesmo é a vida que se leva. “Poder deitar tranquilamente a cabeça no travesseiro, ver a família com saúde, os filhos crescendo e se tornando pessoas que você admira. E, claro, ter o privilégio de trabalhar com o que te dá prazer. O simplificar de tudo é o que de fato importa”, conclui. Simples assim.

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