TOP Magazine

09 ago

Marina Moschen

De estilo elegante e traços delicados, de olhar doce e beleza incomum, de talento raro e brilho próprio, Marina Moschen é linda de viver

POR Simone Blanes 5 MIN

09 ago

5 Min

Marina Moschen

POR Simone Blanes

	

Quando uma atriz está no ar em uma novela, é normal que as pessoas a comparem ao personagem. Por isso, neste momento, não é raro que Marina Moschen seja chamada nas ruas por Selena, a guerreira medieval e bruxa que interpreta em Deus Salve o Rei. No caso dela, ainda vão além: por dar vida a uma figura empoderada e bem à frente do seu tempo, outras designações aparecem: de Joana D’Arc a Mulher Maravilha – todas claras referências à heroína da trama global. Mas é só conversar um pouco com ela para perceber que, mesmo tendo uma ou outra característica das personagens citadas, a verdade é que Marina é uma mulher única, e de brilho próprio. Cheia de encantos, chama a atenção pela delicadeza do olhar, a calma ao falar, o jeito equilibrado de ser. Dá vontade de passar um dia inteiro ali, só ouvindo suas histórias, sempre acompanhadas por reflexões. Algo não tão comum para uma jovem de 21 anos, que, é claro, gosta das redes sociais, mas não vive para isso. Que tem interesses mais profundos, ouvido apurado para música – ela toca piano desde os 5 anos de idade e tem como ídolo o compositor francês Yann Tiersen, autor da trilha sonora do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulin, de Jean-Pierre Jeunet (2001) –, percepções que transpõem o aqui e agora. Marina é diferente… Nascida em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, é gente como a gente, mas de uma maneira muito sensível e autêntica. Se for para, talvez, apontar uma semelhança com algum ícone, me atrevo a dizer que ela tem mais a ver com Audrey Hepburn. De estilo elegante e traços delicados, de olhar doce e beleza incomum, Marina é linda de viver. Para ela, cabem bem as palavras da própria Audrey: “A beleza de uma mulher não está nas roupas que ela veste, nem no corpo que ela carrega, ou na forma como penteia o cabelo. A beleza de uma mulher deve ser vista nos seus olhos, porque esta é a porta para seu coração, o lugar onde o amor reside”. Com vocês, Marina Moschen.

TOP: Você nasceu em Angra dos Reis e hoje é uma estrela global. O que mudou daquela época para cá?

Marina Moschen: Vivi lá até os meus 16 anos, quando mudei para o Rio de Janeiro para estudar teatro. Eu adorava morar em Angra – é uma cidade pequena, mas linda, onde todos se conhecem e são amigos. Um ambiente legal de crescer. Minha família é de pescadores e fui muito feliz lá, só que não tinha como continuar estudando. Quando cheguei no Rio, terminei o Ensino Médio e fiz um curso profissionalizante de teatro, uma transição boa, porque me abriu vários horizontes. Logo depois, já comecei a trabalhar. Foi rápido, mas no tempo certo. Entrei na Malhação e gravava bastante, por isso fui poucas vezes a Angra. Mas eu sinto que não mudou muita coisa. Quando vou, encontro os mesmos amigos de antes, e vou para os lugares que eu gosto. Todo mundo tem curiosidade de saber como é, mas tento tratar da forma mais natural possível. É o meu trabalho, a diferença é que tomou uma proporção maior. Tenho uma visão realista disso tudo, dou um valor normal, então as pessoas que estão à minha volta também dão. 

E na sua infância, costumava ver novelas? De onde tirou a ideia de ser atriz? Foi esse curso de teatro em Angra que me fez ver o que eu queria fazer. Pensava em psicologia, em artes cênicas, só que não tinha certeza de nada, até porque eu fazia muitos cursos na minha cidade: piano, jazz, balé. Sempre tive uma inclinação artística. Novela, eu assistia sim, mas não via como uma profissão para mim. Até fazer teatro e pensar: caramba, isso pode dar certo! Adorava Avenida Brasil, lembro de sair às 21h do balé e ir correndo para casa assistir. E agora contraceno com a Mel Maia (intérprete da menina Ritinha na primeira fase da trama de João Emanuel Carneiro, em 2012). Eu pergunto várias coisas daquele tempo a ela, que lembra de tudo, acredita? Não sei como, porque tinha 7 anos. (risos)

O piano veio da sua avó, não é? Ainda toca? Sim, ela me dizia que estava me dando essa oportunidade de escolher o que eu desejava para a minha vida. Me mostrava outros caminhos, não queria que eu ficasse com a cabeça fechada. Mas hoje não consigo treinar porque estou sem tempo, só que eu lembro de tudo, sei tocar. Foram muitos anos em frente a um piano. 

Falando em treinar, você anda mandando bem no arco e flecha… Pois é, arco e flecha, cavalgada, escalada, luta corporal… Nunca tive contato com nada disso antes. Era zero. Fiz aulas e, por incrível que pareça, o arco e flecha foi o mais fácil de aprender. A que mais amei foi a luta com espada. É diferente de esgrima, mais bruta, mais medieval, mas tem toda uma coreografia. E o mais difícil foi andar a cavalo. Tive que trocar umas quatro vezes, porque um era mais devagar, o outro era rápido demais. Agora acertei com o Barriga, um cavalo muito fofo. Tive aula até de culinária, para aprender a manejar aqueles materiais. Mas não sou de cozinha. Nem um pouco, aliás. (risos)

Selena é uma mulher que quebrou tabus em um mundo dominado pelos homens na época. Como é interpretar uma personagem como ela nos dias de hoje, em que o discurso de empoderamento é tão forte? Desde o início a Selena representa muitas meninas. Primeiro, porque ela trabalhava na cozinha e, por não se encontrar naquele lugar, entra na academia militar. Existem várias garotas que, às vezes, estão numa profissão com a qual não se sentem à vontade e querem experimentar um lugar considerado mais masculino. Por isso, eu a considero muito atual. Me lembro das minhas primeiras cenas lutando com os meninos rindo, zombando. Na minha vida, nunca passei por uma situação tão constrangedora assim, mas tive a oportunidade de sentir o que é bullying na pele da Selena. Mas ela é forte, e desde o começo deixa muito claro que é dona de sua própria história. 

Você se considera feminista? Sem dúvida, é algo importante para mim. Como pessoas públicas, acredito que temos a obrigação de abrir os olhos das mulheres para essa questão. Me inspiro em algumas atrizes como a Camila Pitanga e a Bruna Linzmeyer, que acompanho nas redes sociais. Elas costumam publicar textos com informações sobre o assunto, o que contribui para entendermos e refletirmos sobre tudo isso. Espero um dia também inspirar as pessoas assim. 

Voltando a Selena, também é uma bruxa do bem. Se, como ela, você tivesse poderes mágicos, como os usaria? O dom da Selena é que seus sentimentos reverberam na natureza. Ela não tem como controlar. Mas se tivesse poderes mágicos, gostaria de ficar invisível para conseguir ir a alguns lugares sem ninguém perceber. E saber voar. Deve ser muito gostoso, mas eu tenho medo, acredita? Acho melhor não. (risos)

Uma das curiosidades de Deus Salve o Rei é justamente pretender atingir um público jovem e apostar em estrelas que também têm grande alcance nas redes sociais como você – Marina Ruy Barbosa, Bruna Marquezine e Tatá Werneck. Na sua opinião, deu certo? Acho que sim. Tem uma pegada forte na internet com perfil oficial no Instagram, para onde fazemos vários ao vivo durante as gravações. Isso aproximou uma parte bem importante do público mais jovem, adolescente e até crianças. Foi a novela que mais me proporcionou contato com esse público – acredito que também em função do mundo fantástico da magia. As crianças me chamam de Selena e perguntam se eu sou bruxa. Aí digo que não, que é a personagem, mas elas ficam meio assim, sabe? Eu tenho um irmão de 10 anos, o Felipe, com quem às vezes brinco: sim, sou uma bruxa, e ele fica na dúvida. Muito fofo! (risos)

Gosta de crianças? Quer ser mamãe? Gosto muito. Tenho um irmão de 1 ano também, o Diego… Troco bastante fralda, dou banho, eu amo. Agora está na fase de começar a andar e falar, e estou tentando fazer ele dizer o meu nome, mas está um pouco difícil. Eu, mamãe? Muito para a frente, daqui a uns 15 anos… 

Voltando às suas amigas de Deus Salve o Rei, aparecem muitas fotos de vocês juntas. Outro dia no shopping com a Bruna, linda no aniversário da Marina Ruy Barbosa… Somos muito amigas. Uma relação que foi sendo construída e, quando vimos, já éramos um grupo de fato. Cada uma de nós tem características específicas, e quando a gente se une, de uma forma muito curiosa, dá certo. Nos divertimos bastante. Já queremos fazer Deus Salve o Rei 2 para ficar mais tempo juntas. Marina, minha xará linda, é uma menina incrível, a pessoa mais dedicada que eu conheço. É impressionante como, ao mesmo tempo que é superocupada, é uma pessoa leve e que consegue passar isso para todo mundo. Já a Bruna é muito divertida e verdadeira. Temos várias histórias incríveis, como a vez em que combinamos de ir a uma festa disco, eu, ela e a Fernandinha Nobre. A gente se montou inteira, a Bruna até me emprestou uma blusa toda brilhosa e ela foi com um vestido inteiro de paetê. Todas fantasiadas, só que, na hora que a gente entrou no lugar, ninguém estava assim. Só deu a gente. Parecia até cena de filme, sabe? Meio Meninas Malvadas. Foi um mico, mas divertido, e que deu certo porque estávamos juntas e tivemos uma noite maravilhosa.  

E no dia do shopping, deu para comprar alguma roupa de frio? Sei que você tem essa mania… Comprei um moletom (risos). Nesse dia, a gente tinha saído para comer, nem foi para comprar, mas estava muito frio no shopping. Sou friorenta. 

Sei também que gosta de tecnologia, internet. Mas tem horas que está lá na época medieval. Consegue ficar longe do celular? Na verdade, eu passei a usar celular quando eu mudei para o Rio. Em Angra, até os meus 16 anos, eu não tinha, não gostava. Era até uma questão em casa, diziam: “Marina, a gente precisa saber onde você está!” Quando fui para o Rio, comecei a ter mais necessidade até para poder me locomover e ter contato com as pessoas. Mas fico sem celular na boa. Quando começo a gravar, por exemplo, deixo no camarim, desligado. 

E das redes sociais, dá para ficar distante?  

Gosto das redes sociais, mas também não vivo em função disso. O legal é compartilhar fotos, momentos, ver o que está acontecendo com as pessoas que você gosta, e agora trabalhando, acompanhar o retorno do público. Mas tem um lado não tão bacana – se não souber usar, o risco é tomar a maior parte do seu tempo e você deixar de viver outras coisas na vida. Fora que as redes, de certa forma, te expõem demais. Tem que ter um equilíbrio. 

O que gosta de fazer quando está offline? 

Adoro assistir a filmes, ir ao cinema e fazer maratona de séries. E de ficar perto da natureza, praia e cachoeira. Ah, e procurar músicas novas. Tenho um gosto muito complexo, que vai da música clássica à MPB, mas meu preferido continua sendo o Yann Tiersen.

Maratonas de séries? Do tipo ficar um dia inteiro só nisso? Passo uma semana fácil. A última que assisti foi The Sinner, que amei, mas foi só uma temporada. Eu comecei a assistir a séries quando tirei o dente do siso e tive que ficar em casa. Aí assisti Breaking Bad, que matei em uma semana. Viciei. (risos)

Da música eu já sabia… E cantar, arriscaria tentar uma carreira de cantora ou só no chuveiro? Não sei cantar de forma alguma (risos). É por isso que eu toco piano, um instrumento que não precisa acompanhar com a voz. No chuveiro até arrisco, mas é de brincadeira. 

Na última vez que falamos, você tinha 19 anos e agora fez 21. Alguma novidade sobre essa tal maioridade? Tirei a carta de motorista. Era para ter tirado há muito tempo, com 18, mas aí eu fui adiando e agora tirei. Sou habilitada e maior de idade no mundo inteiro. Mas não mudou muita coisa, não. Também fui para Nova York pela primeira vez no ano passado, com a Nathalia Dill. Passamos 25 dias lá, fomos a várias peças, assistimos Sleeping No More e fizemos algumas aulas de teatro avulsas no Susan Batson Studio. Uma experiência única. Quero voltar para passar mais tempo.  

E o namoro com o Daniel Nigri continua firme e forte? Terminamos faz pouco tempo. Estou solteira, mas o Daniel é uma pessoa que eu amo muito. A relação se transformou e viramos melhores amigos. 

Para terminar, quais seus desejos para o futuro? Amaria fazer cinema. Tive algumas oportunidades, mas eu estava gravando. Quando comecei a trabalhar, foi uma novela atrás da outra. Fiz os Dez Mandamentos (Record), depois MalhaçãoRock Story e Deus Salve o Rei. Não tive muito tempo para fazer nada além disso, mas, quando tiver um intervalo, gostaria de fazer uma peça de teatro ou um filme, experimentar essas outras coisas. Considero importante conhecer outras formas de interpretação, em que se sabe com antecedência o começo, o meio e o fim do personagem. Tenho essa curiosidade. É uma vontade que espero realizar em breve.

Fotos: Yuri + Ana

  • COMPARTILHE
VOLTAR AO TOPO